Partindo
da cidade de Bragança deve seguir na direção de Argoselo, ao lá chegar, passar
pelas bombas de gasolina, a cerca de 600 metros existe uma tabuleta com a
indicação de Minas de Argoselo. Á sua direita há uma estrada e segue por essa
encosta. Vai encontrar um primeiro aglomerado de casas, antigas instalações
mineiras, uma escombreira toda arrasada, e mais ao lado o sítio onde se
encontravam as antigas lavarias onde era tratado o minério e todas as
instalações que faziam parte da exploração mineira.
Hoje
é uma mistura de paisagem natural, com os restos de algumas partes significativas
de peças que sobressaem nesse sítio e estimulam a curiosidade dos visitantes, que
certamente vão querer parar e tirar fotografias à paisagem e maquinas que nos
revelam um pouco da história destas Minas.
Este local,
que complementa o Centro Interpretativo das Minas de Argoselo, situado junto à
Rotunda do Calvário à saída da Vila, pretende-se que brevemente estejam ligados
através de uma nova estrada o que irá facilitar esta visita à história das
Minas de Argoselo.
A história
da mina de Argoselo remonta aos princípios do século XX.
A partir de 1913, estas Minas foram exploradas
por uma empresa Estrangeira. Esta exploração durou até 1986. Pode-se considerar
que o apogeu das minas foi durante a segunda guerra mundial, em que a procura
do Volfrâmio era grande devido à sua utilidade como endurecedor de ligas
metálicas para a construção de armas. Dai para cá a sua importância veio a
diminuir, porém, mais recentemente com a crise do volfrâmio, as minas ganharam
novo alento com o aparecimento do Estanho.
Mas a
utilidade do volfrâmio não se resumia só à indústria de armamento. Uma das suas
utilizações mais nobres é na indústria elétrica. Os filamentos das lâmpadas que
nos iluminam são de Volfrâmio. A extração do Estanho com maior relevância, vem
mais tarde ao ponto da empresa construir fornos elétricos para a sua fundição.
As
Minas de Argoselo a par de Neves-Corvo e Panasqueira, estas últimas ainda em
laboração eram as três principais produtoras de concentrados de Cassiterite em
Portugal.
Desde o seculo passado as Minas de
Argoselo eram exploradas, no entanto só a partir dos anos 50 é que adquiriam
aspetos industriais modernos. 250 Trabalhadores eram responsáveis pela
exploração de 200 toneladas de Volfrâmio e Estanho. Todo o processo de
exploração começava a cerca de 180 metros de profundidade, de seguida na
lavaria dava-se à separação dos minérios dos esteres. Terminado todo o trabalho
realizado na lavaria com a separação do Volfrâmio e Cassiterite, eram
transportados para a fundição, onde dois fornos elétricos com temperaturas
médias de 600 graus centigrados, a Cassiterite era transformada em lingotes de
estanho. Ficava assim concluído um processo iniciado a 180 metros de
profundidade envolvendo a extração anual de 550 toneladas de tornam, que no
final rendiam 200 toneladas de Volfrâmio e Estanho.
O Estanho era consumido no mercado
interno, o País tinha ainda de importar cerca de 300 toneladas anualmente. Até
aos anos 70 as Minas tinham viabilidade, no entanto no início da década de 80
iniciou-se a sua decadência com o despedimento progressivo dos trabalhadores e
atraso de ordenados.
Neste período não foram tomadas as medidas de
apoio reclamadas pelos patrões e trabalhadores, o que levou ao encerramento das
Minas. O que também levou muita gente de Argoselo a virar-se para a emigração
dando-se a desertificação da Aldeia o que se tem vindo a agravar até aos dias
de hoje. Isto levou ao fecho faseado de alguns serviços socias e empresas de
alumínios, construção civil entre outras.
A exploração das minas teve uma
grande importância social e económica para Argoselo, fazendo movimentar a
economia da Aldeia que nessa altura tinha grande movimento e progresso.
Torna-se assim evidente que a
história das Minas está intimamente ligada à história da Vila. Tem assim todo o
fundamento a abertura de um museu dedicado a esse tempo para memória futura.
Ilídio
Bartolomeu