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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

ALQUEIR RAZA E ALMUDE ARGOSELO


Profundas arcas, tulhas abissais, celeiros como naus da Índia, dornas e tonéis, arcais senhora minha, tudo isto medido em côvados, varas e alqueires, em almudes, moios e canadas, cada terra com seu uso. (José Saramago in “Levantado do chão”)
Esta frase do romance de Saramago, tirada à força da realidade Alentejana, bem se aplica às nossas paragens quando era preciso transacionar bens e mercadorias no período em que a moeda corrente não circulava tão facilmente pelo elevado valor.
Poderá parecer confuso na comparação das unidades padronizadas dos nossos dias, mas o legado que vos falo é anterior à fundação do país e tem raízes, entre outros, da ocupação árabe.

Veja-se o exemplo do alqueire como medida de capacidade, existe um outro “alqueire”, este como medida de superfície e que é utilizado ao longo dos anos nas medições de terrenos agrícolas ou florestais, para inventário do património dos respectivos proprietários, quer na compra e venda de propriedades rústicas, quer ainda para cálculos de foros, adubações, sementeiras e colheitas. O alqueire, como medida de superfície é reconhecido desde os primórdios até hoje.
Alqueires, palmos e varas…pequenas e grandes! Uma confusão que só quem viveu esse tempo percebe!
Recordo a caixa que media um alqueire de centeio do meu avô, sempre junto à tulha para pagar ao barbeiro, vender ou ensacar o cereal necessário à sementeira da terra x ou y.

O valor deste alqueire (capacidade) varia entre os 10 a 12 litros. Era recorrente vender-se o grão do feijão, do milho, do trigo, do centeio, da fava etc..., e até em certas regiões o azeite, ao alqueire.
A diferença da quantidade para a mesma unidade de medida era uma espécie de inflação que perdurava mais numa região do que noutras – em função dos impostos. Nas balanças colavam-se determinadas quantidades de metais no fundo do prato dos pesos (variável ao contrário da massa) para alterar o preço das coisas ou beneficiar o comerciante menos sério.
Um alqueire de terra é duzentas varas quadradas, ou seja: 2,64 x 2,64 m x 200 = 1393,92 metros quadrados. Um “moio” de terra é sessenta alqueires.
À conversa com os mais velhos fala-se que a propriedade x leva n alqueires…
Até quando?

Texto de Luiz Rodrigues

sábado, 7 de julho de 2018

CASTROS E AFLORAMENTOS ARGOSELO


Na página 103 das notas monográficas do concelho de Vimioso, Adrião Martins Amado regista, de forma avassaladora, uma perfeita descrição orográfica e o melhor esboço daquilo que a arqueologia pode encontrar no termo da freguesia.
«Há em Argoselo ruínas e vestígios bem visíveis de três grandes fortalezas antigas: o Castro da Terronha, o Castro do Cabeço de S. Bartolomeu e o Castro do Serro Grande.
O primeiro é o mais notável e parece ter sido uma fortaleza árabe. A sudoeste vê-se ainda parte dos alicerces e muros de uma grande muralha e ao nascente as ruinas de dois grandes
torreões de forma piramidal. O terceiro encontra-se no lado oriental do Serro Grande à esquerda, indo da povoação, no alto da grande ladeira do rio Maças.

Lá encontrámos vários fragmentos de panelas e bilhas antigas. Há anos o nosso paroquiano Domingos da Costa ali encontrou uma adaga, um machado, um dardo e outros instrumentos em forma de escopro, que pareciam ser de oiro. Nas ingremes ladeiras do Sabor, em frente da Paradinha Nova, nas covas do Teixo, existe o Buraco do Fumo e a Sala Assobradada (aliás, Casa Assobradada, que fica no Cimo de Cavessilvar), que parecem ter sido habitação do homem pré-histórico. No cabo da rodeira da Terronha encontram-se as ruínas do Poço dos Lobos, que talvez fosse a grande cisterna do Castro que fica próximo. Estas estações prendem deveras a atenção do observador, evocando o viver dos povos desta região em épocas remotíssimas».
«Os horizontes que se descobrem do alto de S. Roque, do alto da Cabreira, do Seixagal e de outros pontos são grandiosos e deixam funda e agradável impressão no espírito do observador. Destes altos descobrem-se lindos trechos da Serra da Sanábria, na Espanha, coberta de neve durante quase todo o ano, os mais elevados píncaros das serras de Trás-os-Montes, grandes porções da raia espanhola, na fronteira da Galiza e Castela, os castelos de Outeiro, Algoso e Penas-Roias e muitas povoações dos vizinhos concelhos de Bragança, Macedo de Cavaleiros e Mogadouro. Dos píncaros do Serro Grande vários trechos do rio Maçãs e do Cabeço de S. Bartolomeu o rio Sabor apresenta um panorama interessantíssimo com o seu leito caprichoso e as suas ribas muito inclinadas e grandes e escalvados penedos».

Para aqueles que não sabem que a minha área de formação se situa na matemática e ciências naturais tenho de registar a ressalva que as minhas exposições neste espaço encontram ancoragem apenas no meu interesse pelo tema, tolhido pelas versões do património oral que me fez argozelense, não apenas por isso, as teorias apresentadas podem ser refutadas por argumentação de especialistas.
Repito - as minhas exposições neste espaço encontram enquadramento, não na minha preparação científica na área – que não tenho, mas interesse em perpetuar a memória dos nossos antepassados.
Apesar dos castros referidos no relato do séc. passado se encontrarem praticamente erradicados da paisagem, pelo abandono a que foram vetados, levando os céticos à sua negação, as provas ainda lá estão para quem as quiser ver. Quando uma pedra de xisto aparece no meio das pedras do serro, isso é um apelo descomprometido à curiosidade. Alguém a transportou para aquele local, porque a natureza não escreve essas linhas. Uma simples pedra, pela sua consistência ser menor do que os minerais de quartzo que constituem o afloramento rochoso a que chamam em Argozelo “O Serro” desaparecerá e consigo apagar-se-á uma história.

Os diversos achados arqueológicos provenientes de Argozelo perdem-se em acervos de museus inacessíveis e ou delapidados por curiosos. Chegaram até nós referências como aquela que vos trago em cima, com data do ano 107 da era dos romanos e uma lápide que fez capa da revista Sumagre no ano 2009 – dois bons exemplos de divulgação do património.

Os antepassados que fizeram a arte rupestre no Vale do Coa, muito provavelmente, deixaram registos nos afloramentos rochosos dos vales do Maçãs ou Sabor – é uma questão de procurar.
Quantas pedras não andarão desejosas de nos contar uma bela História de milénios?
Assim, por ser imperioso dar às pedras, pedregulhos, calhaus e lapadas o seu devido lugar na História, declaro-me Auto proclamado Comendador Mor do Serro Grande! Sem votos nem reuniões aclamatórias! Quem vier a seguir que fique Comendador do Serro Pequeno.
Como primeira medida exijo que toda e qualquer pedra que possa servir para uma lapada, fique onde está - as pedras são pela paz!

Texto de Luiz Rodrigues

terça-feira, 7 de novembro de 2017

MAIS UMA HISTÓRIA SOBRE ARGOSELO...


Mais uma História sobre Argoselo que vem no seguimento de personagens que contaram histórias mais ou menos reais, que se intitulavam “José Vasconcelos”. Tive curiosidade em saber mais quando para minha surpresa, remete para alguém falecido há 76 anos e que está ligado à História da nossa querida terra! Leiam com o interesse que melhor vos aprouver.
José Leite de Vasconcelos era beirão de nascimento. Nascido muito próximo da fronteira sul da área dos dialectos transmontanos e alto-minhotos (Cintra e Rei:1993) portanto, com conhecimento científico e empírico de algumas particularidades dialectais que pretendemos tratar. Nasceu na localidade de Ucanha, Mondim da Beira, a 7 de Julho de 1858, e viria a falecer em Lisboa, a 17 de Maio de 1941.
Como Autor de obra vastíssima, é considerado um linguista, filólogo e etnógrafo.
Algumas das suas obras que constam da bibliografia das notas monográficas do concelho de Vimioso: Religiões da Lusitânia; Estudos de Filologia Mirandesa, 1900, 2 volumes; O dialecto  Mirandês, 1882; Línguas raianas de Trá-os-Montes, 1886; Flores Mirandesas, 1884; Silva Mirandesa, 1903; Dicionário da Corografia de Portugal, 1884. Na página 42, pode ler-se e passo a citar Adrião Martins Amado:
“Li há pouco na página 315.ª da Etnografia Portuguesa do Dr. J. Leite de Vasconcelos o seguinte: «Argozelo, em Trás-os-Montes, compõe-se de 3 bairros principais: de Cima, de Baixo, do Latedo: o primeiro e o segundo acham-se ligados entre si e unicamente o terceiro fica algo afastado numa encosta, para lá do riacho do Prado, que corre num vale. Os bairros de Cima e de Baixo habitam-nos lavradores e comerciantes, e num deles ergue-se a igreja matriz: o do Latedo ocupam-no Judeus (há muitos em Argoselo como se dirá a seu tempo)».
Não sei onde o sábio autor colheu tais informações. Não foi, decerto, em escritos do Prior Miranda Lopes que, enviando informes sobre a nossa terra natal para o Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular, disse: «O bairro-do-latedo, o mais pequeno da povoação, pois tem apenas nove fogos. É também antigo» - E ainda: (sublinhado e negrito meus) alguns escritores, levados por falsas informações, imperfeitas observações e ligeiras operações antropométricas, afirmam que em Argoselo predomina a índole, o carácter e o tipo da raça semita e que há aqui mil cripto-judeus. É leviana e falsa uma tal afirmação. Em época muito remota, vindos de Espanha, abordaram efetivamente a Argoselo alguns judeus; mas foram logo perseguidos pelas autoridades e naturais do lugar que nem sequer os admitiam nos cargos e funções públicas, chegando a haver entre uns e outros conflitos armados, ficando vencedores os naturais do lugar; e se alguns aqui ficaram, converteram-se e talvez nem chegassem a constituir família, porque os naturais do lugar não uniam a eles pelos laços do matrimónio.
«Note-se também que Argoselo foi terra de muitos padres, mesmo durante a época em que a perseguição aos judeus era violenta. Só nos livros do registo paroquial de 1751-1800 encontrámos notícia de 28 sacerdotes naturais desta freguesia. Ora é sabido que nos processos de ordenação eram excluídos, até à quarta geração, todos aqueles que fossem judeus os descendentes da sua raça. Na árvore genealógica de cada indivíduo, até ao quarto grau, entram oito troncos ou oito famílias ou dezasseis pessoas. Multiplicando esse número por 28, temos nos processos daqueles sacerdotes 448 representantes de famílias de puro sangue cristão – e isto na altura em que esta povoação tinha apenas 150 famílias».
(…)
Por tudo isto conclua-se: o Latedo de Argoselo nunca foi ocupado por judeus. (Final de citação)
A ser verdade que José Leite Vasconcelos recebeu a informações do Prior Miranda Lopes que alertava para alguns escritores, levados por falsas informações, imperfeitas observações e ligeiras operações antropométricas, afirmam que em Argoselo predomina a índole, o carácter e o tipo da raça semita e que há aqui mil cripto-judeus. É leviana e falsa uma tal informação.”
Falsas informações (de quem?) imperfeitas observações (por quem?) e ligeiras operações antropométricas (já se podia fazer outro tipo de medição?) Quem tinha interesse em veicular essas falsas informações?
Por que razão o Prior Miranda Lopes classifica de “leviano” e “falso” o indício que Argozelo foi terra de mil cripto-judeus? O que terá José Leite Vasconcelos levado a desconsiderar tal informação? Não seria credível a fonte? Estaria a mentir? Se sim - com que pretexto?
É desconcertante, no seguimento da explanação do religioso, ter referido que “ Em época muito remota, vindos de Espanha, abordaram efetivamente a Argoselo alguns judeus; mas foram logo perseguidos pelas autoridades e naturais do lugar que nem sequer os admitiam nos cargos e funções públicas, chegando a haver entre uns e outros conflitos armados(…)” Conflitos Armados?! Como foi possível? (tipos de armas, número de feridos e mortes)
Uma invasão de judeus hostis que tiveram de ser rechaçados por bravos lavradores crentes em Cristo armados de machados, foices, espalhadouras e calagouças e até estadulhos!?
Uma brigada de infantaria de proteção das fronteiras do Reino, numa incursão não programada tratou de despachar à bastonada homens, mulheres, jovens e crianças de igual forma e mandaram os judeus todos para Carção? Será que foram aceites numa primeira fase e depois, por já não terem dinheiro para os vícios fora expulsos das tascas e mandado para Carção?
Mais à frente (P. 45) referem-se queixas de cristãos velhos aos representantes da Igreja pelos cristãos novos pegarem nas varas do palio nas procissões do Santíssimo Sacramento. Coitados, se vissem a falta de pessoal que há hoje para levar o palio não se queixavam tanto!
Está aqui matéria deliciosa para uma peça de teatro – em Argozelo sempre foram muito dados a essa arte.

Texto de Sr. Luiz Rodrigues


           


            


domingo, 3 de setembro de 2017

PÃO, VINHA E OLIVEIRA ARGOSELO


Já se referiu a influência do Castro de Avelãs na decisão das culturas agrícolas a trabalhar por estas paragens e como a mudança de paradigma, trazida pela chegada dos judeus, criou a tensão necessária à mudança.
Cereais, vinha e oliveira foram elementos dominantes na paisagem rural cultivada no país, desde as origens e aqui não foi exceção.
Falarei mais tarde na importância dos cereais como moeda de troca referindo, por agora, que o cultivo de trigo e centeio, por estas paragens, não se remeteu à alimentação pelo fabrico do pão, mas a formas de transação de bens e pagamento de impostos, tendo em conta que as moedas tinham um valor elevado para o quotidiano rural.

A importância dessas sementes era tal que, até ao séc. passado, a maior parte do terreno cultivado reservou-se a esta cultura. Na generalidade os campos eram abertos, isto é, sem qualquer tipo de muros e campos praticamente limpos de árvores, cultivados em regime de afolhamento bienal, com duas folhas, uma ocupada pelo cereal (maioritariamente o centeio, mas também algum trigo) e a outra deixada de pousio para pastos. Muito associado a práticas comunitárias e a direitos coletivos, este sistema era complementado por uma estrutura individualista de prédios fechados de regadio, implantados junto dos povoados, com hortas, árvores de fruto, vinha e lameiros.
Esta dependência económica, quase exclusiva dos cereais, trouxe miséria em anos escassos e sucumbiu à desvalorização em anos de fartura.

A introdução da vinha, exemplo bem conhecido do vale do Douro, fez-se em terrenos incultos, assim como a oliveira que em Argozelo surgiu nas encostas íngremes e não na denominada “faceira” para manter a área de sequeiro.
No séc. XVII as exportações de vinho fizeram crescer o seu valor económico e o azeite foi utilizado, em Trás- os- Montes, na produção de sabão.
Cabe aqui uma referência a outras culturas que constituíram parte, embora em menor expressão, da paisagem agrícola como a figueira, macieira, pereira e o cultivo de hortas. Estas, apesar de ocuparem uma área limitada da superfície agrária, desempenharam um papel extremamente importante na satisfação da subsistência alimentar quotidiana.
Na segunda metade do séc. XVIII deu-se a introdução da batata, pela alta de preços dos cereais e pelas crises de subsistência da época. No início do séc. XIX a sua utilização na alimentação foi generalizada.

Indica-se outro alimento que, apesar de introduzido no séc. XVI, foi neste período que encontrou rápida divulgação – o milho maís (não o painço). A sua elevada rentabilidade levou à “revolução do milho” com aplicação de técnicas de regadio que trouxeram à agricultura intensiva, de expressão ténue por estas bandas considerando as vicissitudes climáticas.
A paisagem agrícola, como se viu, não é estática ao longo do tempo – molda-se aos sabores da economia e do clima. Hoje encontra-se paulatinamente abandonada, até quando!?
Faltou referir o castanheiro e a amendoeira, um casamento que está a viver uma história um pouco atribulada. Veremos se não resulta em divórcio.

Texto de Luiz Rodrigues

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

CASA BROZINADA DOS QUINAS EM ARGOSELO


O património arquitetónico de Argozelo é muito diversificado e riquíssimo, na medida em que encontramos inúmeros testemunhos de diversas épocas e estilos. Desde a casa típica transmontana com a lousa de xisto a servir de pilar de alpendre na escadaria exterior à pequena janela ao nível da rua que permitia transações rápidas na época em que comerciantes conviviam com lavradores e os contrabandistas, em períodos conturbados nos reinos da península, se escondiam dos agentes de autoridade.
Não pretendo desvalorizar as construções atípicas de Chalés suíços, com telhados a espantar neve que nunca por aqui se viu, mas que emigrantes fizeram questão de importar, talvez por afirmação mas, principalmente, para deixar a marca no tempo da sua história de vida.
Do universo que descrevo sobressai a Casa Brasonada dos Quinas iniciada a sua construção no ano 1622 e terminada por volta de 1720, altura em que se edificou a capela.
São sensivelmente 100 anos que atravessam gerações de argozelenses que certamente não ficaram indiferentes a este edifício. Convém recordar que a paisagem urbanística no local era desprovida de construções e a proximidade com a Igreja Matriz fazia perceber a necessidade de ampliar o perímetro urbano, demasiado encaixado nos vales que desembocavam nos Inverniços, facto que não era alheio o acesso à água nos cursos naturais.
Não é minha intenção refletir sobre o contexto político da época que isso levar-me-ia a justificar porque há tantos Filipes! Não apenas em Argozelo, entre os séculos XVII e XVIII, edificaram-se inúmeras casas, solares, palácios e quintas de recreio. Este facto está diretamente relacionado com o domínio filipino que contribuiu para a melhoria de condicionantes económicas, sociais, políticas e culturais dos seus encomendantes.
Neste caso em concreto a extinção da comunidade religiosa do Castro de Avelãs e a passagem dos seus bens para a futura diocese de Bragança/Miranda (1545) permitiu que o tributo religioso deixasse de fugir vertiginosamente para o clero regular para se centrar no clero secular.
Os tributos para a igreja terão subido exponencialmente considerando que os Judeus quiseram integrar-se na sociedade sob a forma de Cristãos Novos e isso fez-se à custa de grandes donativos para a igreja criando algumas tensões sociais como aquelas que se reportavam ao transporte do Palio em dias de Procissão.
É neste contexto que a família Quina consegue amealhar o suficiente para, em gerações posteriores, mandar edificar tamanho colosso. Esta demonstração de poder termina com a obtenção de Brasão de Fidalguia.
Dito isto, a Casa Brasonada dos Quinas é um património Ecuménico na medida em que se fez a custa de, pelo menos, duas religiões.
Esta e outras histórias mereciam ser contadas, desde o seu interior, de portas abertas à comunidade.
É um crime permitir que esta história seja contada até que se esqueça - até não ficar pedra sobre pedra

Texto de Luiz Rodrigues

domingo, 30 de outubro de 2016

COMENTÁRIO AO 1º CAPITULO DO FILME SOBRE ARGOSELO


Argoselo é uma das freguesias do concelho de Vimioso com uma população de cerca de 1500 habitantes e 500 fogos. Fica a 12 Quilómetros de Vimioso e 30 de Bragança.
Desde Vale de Milhos pela beira da estrada até ao fundo do Prado, havia um ribeiro que corria água durante todo o ano, onde em tempos existia exploração de minério a céu aberto. A freguesia divide-se em três Bairros: Latedo onde se diz que era habitado pelos agricultores, Bairro de Baixo e Bairro de Cima pelos negociantes.
Em tempos remotos sediaram-se em Argoselo inúmeros Judeus mais propriamente no Bairro de Baixo que deixaram importante presença económica e cultural.
As fabricas dos curtumes designados como “Pelames”, situavam-se entre o Prado e o Bairro de Baixo.
A aldeia desde 1947 até aos anos 50, começavam as casas no Cruzeiro de Santo Amaro e acabavam no cruzeiro de São Sebastião, desde então, tanto para um lado, como para o outro cresceu muito..  É uma das mais importantes freguesias do concelho de Vimioso e não só, também é a mais importante do distrito de Bragança pela sua agricultura, comercio e pela excelência das suas terras, ficando situada entre duas bacias hidrográficas, do Rio Sabor e Rio Maças. Produz cereais, azeitona, castanha, batata, gado ovino, e bovino, e é rica em floresta e o seu solo abundante em água.

 Neste contexto havia várias fontes: no Prado, existia uma fonte e um tanque, na Espadana, havia duas fontes e um tanque para as lavadeiras, no Bairro de Baixo, havia a fonte das Nogueiras, nas Eiras das Éguas, duas fontes; Aquinhó e o tanque designado da Escola, na Praça, entre a Capela e a casa dos goxinhas, havia uma fonte e um tanque cumprido e por último na Gabilana, havia uma fonte. Por incrível que pareça atualmente só existe: a fonte na Espadana e a fonte da Aquinhó, todas as outras foram deitadas a baixo. Lembro que todas elas eram de valor Patrimonial para Aldeia.

  Argoselo está dotado com várias estruturas públicas e Privadas: tem duas Estações de Serviço, uma á entrada e oura á saída da Aldeia, tem serviços de Correio, Escola Primária e Gino Desportivo, Agencia Bancaria e de Seguros, Posto da GNR, Posto de Saúde, Associações Cultural e Desportiva e uma Farmácia. No plano de artes e ofícios havia: Funileiros, Ferreiros, Alfaiates, Sapateiros Carpinteiros, eletricistas, Albardeiros e Barbeiros.

Mais recentemente instalou-se indústria de Serralharias, Alumínios, Lagar de Azeite e Estancias de Construção Civil. Hoje a maior parte destes serviços estão encerrados ou simplesmente não existem.
Também foram importantes para a economia de Argoselo as minas de volfrâmio e estanho situadas no sítio da cabreira onde empregava à volta de 250 pessoa. Enquanto em funcionamento foi mais uma valia para o desenvolvimento da Aldeia. Hoje as minas estão encerradas e abandonadas.

Durante o ano realizam-se varias festas em honra dos santos existentes na freguesia, mas é durante o mês de agosto que muitos filhos da terra regressam de vários pontos do país e estrangeiro para visitarem a família e assistirem ás festas, Nossa Senhora das Dores e Santa Barbara e ao São Bartolomeu.  

Ilídio Bartolomeu 

domingo, 9 de abril de 2000

ARGOSELO E SUA HISTÓRIA

Argozelo é uma vila portuguesa do concelho do Vimioso, sede de freguesia com 29,55 km² de área e 809 habitantes (2001). Densidade: 27,4 hab/km². Foi elevada a vila a 12 de julho de 2001. Situa-se a aproximadamente 18 km de Vimioso, sede do concelho, 26 km de Bragança e 13 km do IP4 que liga Bragança à Espanha (município de Alcanizes e província de Zamora)

Vila de Argoselo ou Argozelo Sendo uma das maiores aldeias do distrito de Bragança com destacada atividade econômica, Argozelo tornou-se vila em 2002. Ulgosello, diminutivo de Ulgoso – antigo nome de Algoso, outra freguesia do concelho –, deu origem ao nome Argoselo que ainda hoje se usa e assim é pronunciado pelas pessoas que, segundo o uso local tradicional, seguem distinguindo o s do z, assim como se usava em antigo português. A alteração para Argozelo é sinal de mudança reivindicado por parte da população que quer associar à imagem da vila uma ideia de dinamismo que caracteriza as suas gentes. Arqueologia e história esta localidade foi povoada pelo menos desde inícios da Idade Média, a julgar pela documentação escrita. Os primeiros habitantes podem ter chegado, no entanto, muito antes. Há lendas que apontam neste sentido, porque existem vestígios que se poderão revelar pré-históricos depois de estudos arqueológicos mais profundos. Nas ladeiras do rio Sabor, no sítio chamado Covas do Teixo, existem dois redutos chamados pelo povo de Buraco de Fumo e Sala Assombrada. Diz-se que aqui viveu o homem paleolítico. Além disso, foram encontrados no termo da freguesia quatro machados do período neolítico, um fragmento de cobre e um de bronze. Todos estes vestígios encontram-se atualmente em Bragança. A primeira igreja paroquial foi construída por volta dos séculos XII ou XIII. De pequenas dimensões, terá sido demolida e substituída por outra, mais ampla, erguida num lugar central da freguesia que, desde a Idade Média, crescera muito. [editar]Atividades econômicas A freguesia de Argozelo é marcadamente rural. A agricultura, a olivicultura, a vinicultura e a produção de amêndoa e cortiça compõem as principais atividades da população que também se dedica à construção civil, à serralharia e à indústria de transformação de madeira. O artesanato de Argoselo está bem vivo na freguesia. Funileiros, arreeiros, curtumes, alfaiataria, latoaria, rendas e bordados vão alimentando a tradição. Exploração do volfrâmio houve extração mineira até 1986, mas as minas de volfrâmio e estanho estão atualmente descativadas. Inicialmente a céu aberto, com lavagem direita no pequeno riacho que passava no atual Prado fazendo-se posteriormente a partir de galerias de pequena profundidade que ainda se podem observar nalgumas propriedades. O planalto que se inicia desde o vale do Sabor no prolongamento do monte do São Bartolomeu e o esgotamento dos recursos à superfície, obrigou à extração em profundidade e em exclusividade no subsolo. Uma figura marcante na história da mina foi José Alves Velhote, já falecido em 20/08/1986, um dos pioneiros na extração do minério e responsáveis pela sua expansão, que por vários anos, foi a principal fonte de renda das famílias da região. Atualmente, os terrenos da mina pertencem à Minargol, contudo esta empresa faliu e existe agora um liquidatário Judicial cuja entidade se desconhece, e que talvez por isso tem sido tão difícil chegar a uma decisão consertada com a autarquia a fim de intervir neste espaço. Gastronomia O folar da Páscoa e bolos caseiros comporem a ementa. Não nos podemos esquecer da qualidade dos enchidos, onde se destacam as alheiras de fabrico artesanal. O vinho sempre fez parte do patrimônio local, contudo esta região tem perdido larga importância nesta área, visto não se encontrar numa região demarcada. Sabe-se, contudo, que os mostos aqui produzidos são utilizados para a feitura de vinho comercializado com rótulos certificados de outras regiões. Resta ao visitante provar um vinho tradicional, bebido diretamente da pipa, permitindo ao transeunte um encontro com os sabores mais puros do paladar. Festas tradicionais: São Bartolomeu A festa de São Bartolomeu que decorre todos os anos no dia 24 de agosto é, pela sua projeção para além-fronteiras, a mais conhecida. São verdadeiras enchentes de populações que se deslocam ao santuário situado nas imediações desta terra para prestar devoção ao santo, visitar um santuário de belezas paisagísticas inigualáveis, onde se podem vislumbrar uma excelsa panorâmica sobre o vale do Sabor e apreciar um saboroso piquenique à sombra de frondosas árvores em qualquer época do ano. Para quem possa ter a oportunidade de visitar Argozelo durante o Verão, não se espante ao ver um aglomerado populacional num bailarico de rua bastante animado, bem à moda do mês de agosto, ainda que caia neve.