terça-feira, 4 de junho de 2019

E SE FOSSE NO CENTRO DE VIMIOSO?...


É comum encontrar edifícios abandonados em cidades vilas e aldeias, mas eu vou especialmente falar de Argoselo. Basta um passeio pelo centro da Vila de Argoselo ou por outras ruas, nobres ou não, para identificar inúmeros espaços sem utilização, ou com esqueletos de prédios desocupados, servindo de hospedeiros indesejáveis, para lixo, pragas, marginalidade e egoísticos interesses individuais especulativos dos seus proprietários.
Mas, como solucionar esta questão e promover a sustentabilidade destes bens, principalmente do prédio situado bem no Centro da Vila de Argoselo?

A resposta para este problema encontra-se na Constituição da Republica, num artigo que eu não estou habilitado para fornecer, dedicado à Política Urbana, sob a premissa das funções sociais da Vila e sustentável da propriedade que impõe o uso deste bem em conformidade com o interesse, não só do proprietário, mas de toda a sociedade, conforme diretrizes do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, a partir de efetividade econômica, social e promoção do meio ambiente ecologicamente equilibrado.

Assim, impõe-se ao Executivo Camarário de Vimioso, o dever de imprimir políticas públicas de ordenação deste ou doutros espaços urbanos, condicionando e delimitando o efetivo exercício do direito de usar, gozar e dispor do imóvel pelo próprio poder público e, notadamente, em nome do citado princípio mencionado o artigo constitucional, bem como por força da norma fundamental que eleva a supremacia do interesse coletivo sobre o individual.

Para tanto, a própria Câmara pode autodenominar e colocar à disposição do poder executivo municipal os artigos que conferem esses instrumentos. Referindo assim à obrigação conferida à administração pública de determinar ao proprietário da casa edificada, não utilizada e abandonada, que promova o seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente de divisão ou aplicação de multas, em prazos pré-definidos e após projeto aprovado, imposto sobre a propriedade e, se persistir na omissão legal, a expropriação adequada, com pagamento mediante títulos da dívida pública, com prazo de resgate de até dez anos, tudo com base dos conformes procedimentos estabelecidos e garantidos pelos  devidos processos legais, contraditório e ampla defesa, no âmbito administrativo e judicial se for o caso.

Com estes passos, será possível concretizar direitos básicos como moradia, lazer, inerentes às funções sociais da Vila e da propriedade, ultimando o abandono que se encontra num triste espetáculo há mais de 40 anos. Não é compreensível tanto pela Junta de Freguesia como da Câmara de Vimioso, que tenham até hoje nada feito para acabar com esta situação, e que nada dignifica a Vila de Argoselo por quem por aqui passa há 40 ou mais anos.

Os Serviços Camarários, segundo me parece tem dado alguns passos para solucionar este problema, mas também não tem feito tudo que está ao seu alcance, porque se fosse com um munícipe radicado na Vila, e Argoselense, que paga os seus impostos e se descuidasse, tinha tudo já penhorado faz tempo.
Mas também não quero deixar de expressar o meu descontentamento e condenar as várias Juntas de Freguesia das debilidades e desleixes como se não fosse nada com eles e deixarem-se andar ao sabor da Câmara de Vimioso.

A verdade seja dita: estes indivíduos são como os morcegos, só vêem de noite, durante o dia, não vêem nada, nem se passa nada na sua própria Terra. Mas não vai tardar muito, que durante alguns dias, não há-de faltar muito, em que vão começar a distribuir os bacalhaus e palmadas nas costas e dizerem; que são os defensores do bem-estar das pessoas que aqui vivem. Quanto à Câmara de Vimioso, tem-se esquecido muito dos vivos, mas, quando alguém morre lá estão eles a lembrarem a sua presença com uma coroa de flores e paz à sua alma…

 Não é admissível como o Povo tem sido representado por indivíduos, que em vez de o defenderem, têm o vendido por uma simples coroa de flores, só para agradarem, porque para o resto estão-se borrifando. Quem gosta da sua Terra, o dever é entregar-se com paixão e lutar pelos direitos do Povo para o qual os têm eleitos. Se não foi para representarem o mais alto cargo da Freguesia…. Então mais valiam continuarem a cavar batatas e tratar das hortas…


Ilídio Bartolomeu