Como todos os anos, milhares de pessoas voltaram a descer a
Avenida da Liberdade até ao Rossio. Pelo caminho, entre várias “Grândola, Vila
Morena” e outros cânticos de Abril, aplausos e conversas cruzadas, repete-se um
ritual que é simultaneamente memória e presente. Mais de 50 anos depois da Revolução dos Cravos,
vivemos tempos difíceis.
É mais importante do
que nunca celebrar a liberdade e relembrar os valores e democracia de Abril”, “A
liberdade é um valor com o qual eu concordo muito. Não devemos julgar ninguém,
devemos ter todos o direito de dizer o que queremos.” Estar na rua, digo. E uma
forma de resistência contínua: “É uma luta constante, independentemente do
governo que temos”. “A liberdade não está garantida. Aliás, cada
vez está menos”. Falo a partir de experiência própria: “Sei o que é viver a
vida. “Vamos lutar pelos direitos e pela liberdade de toda a gente. Estar aqui
é um dever cívico”.
Recordar também implica confrontar. “É importante lembrar de
onde vem este dia, mas também reconhecer o que foi feito durante o período
colonial”, Defende que é preciso “dar voz a essas pessoas” e ampliar o debate. Num
contexto europeu que considera preocupante, alerta para o crescimento da
extrema-direita. “Agora, mais do que nunca, é importante sair à rua, mostrar
quem somos e o que queremos.”
No fim do percurso, a conclusão parece comum, ainda que
raramente dita de forma direta: Abril não é um capítulo fechado. É um processo
em curso, feito de presença, de memória e de confronto. E enquanto houver quem
desça a Avenida da Liberdade com um cravo na mão, seja por lembrança, convicção
ou inquietação, a revolução continua a fazer-se, passo a passo, no meio da
multidão.
Blog Freixagosa
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