Eu, tenho uma voz interior que nunca se cala. Não é tipo
coisa de doido, é a minha escrita e ela vive analisando, pensando, fazendo
padrões, lembrando o futuro e o passado. É útil porque eu consigo viajar e
assistir a filmes caseiros na minha cabeça, mas não é útil porque ela nunca,
nunca se cala. Ela consegue distrair-se seguindo e analisando conversas, etc.,
mas nunca se silencia, a menos que eu consiga uns 2 segundos de atenção plena.
Eu achava que isso era normal??? Estou exausto, por causa da minha escrita na
cabeça??
A escrita é uma das mais profundas
formas de expressão humana. Uma maneira de falar sem abrir a boca, de existir
para além do silêncio. Nela, depositamos emoções, traumas, alegrias e memórias.
Tudo o que nos atravessa encontra abrigo na ponta da caneta e, ali,
transforma-se em história.
Escrever é, antes de tudo, um ato de
resistência. Desde os tempos mais antigos, diferentes povos investigaram a sua
existência no mundo. Gravaram símbolos em pedras, moldaram palavras no barro,
desenharam cenas nas paredes para contar as suas histórias. Antes mesmo das
letras, já havia escrita, uma escrita feita de imagens, de gestos, de marcas
que atravessaram o tempo.
Com o passar dos séculos, a escrita
evoluiu. Vieram o papel, a tinta, a imprensa, o computador. Hoje, digitamos em
telas, escrevemos com rapidez, partilhamos ideias em segundos. Mas, apesar de
todas essas transformações, a sua essência permanece a mesma: comunicar, registar,
dar sentido à experiência humana.
A escrita é, portanto, uma tecnologia
ancestral que nunca perde a sua relevância. Ela se reinventa nos meios, mas
resiste no propósito. Está no lápis e no papel, no teclado e na tela, no carvão
que desenha, na mente que organiza ideias. Está também nos traços que nos fazem
“ler” sem palavras, nos símbolos que comunicam antes mesmo da linguagem formal.
Mais do que um instrumento, a escrita
é uma necessidade. É por meio dela que nos reconhecemos, que compreendemos o
mundo e que deixamos marcas para aqueles que virão depois de nós.
Enquanto houver humanidade, haverá
escrita. E enquanto houver escrita, nenhuma voz estará completamente em
silêncio. Enquanto
houver vida humana, haverá dúvidas, e enquanto houver dúvidas haverá evolução.
Em
suma, a expressão é um lembrete da resiliência humana e da teimosa capacidade
de acreditar no futuro.
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