No mundo, somos iguais e diferentes, porém não temos o
direito de ser indiferentes.
A indiferença iguala-se com o
egoísmo e com o medo, impedindo o alongar da vida. Desenvolvimento e
crescimento implicam envolvimento, o que é um ato de coragem de viver. A
indiferença cria um abismo de aparência intransponível para quem poderia
redimir-se do erro ou, simplesmente, conquistar oportunidades de construir um
caminho individual que dê sentido à vida.
A indiferença é o instrumento dos
frágeis e dos que temem perder as minguadas reservas que conseguiram acumular.
O pouco que se tem com a angústia de perder, torna-se ainda menos, porque tende
a desaparecer pela falta de uso. Nas relações de afeto, o uso não desgasta, ao
contrário, amplia, transforma e diversifica.
O envolvimento, atitude antagônica
à indiferença, pede-nos aproximação, aconchego e intimidade com as pessoas com
quem convivemos. A intimidade requer coragem porque o risco é inevitável. Não é
possível saber logo de início, de que forma o relacionamento nos afetará.
Crescerá, transformando-se em autorrealização, ou nos destruirá. A única coisa
certa é que, se nos entregarmos totalmente para o bem e para o mal, não
sairemos ilesos.
A coragem de amar coloca-nos frente
a frente com duas formas de temor: o medo da vida e o medo da morte. Ao
contrário do que muitas pessoas pensam, o medo mais avassalador das pessoas não
tem a ver com a morte, apesar de ser uma experiência de caráter irreversível e aterrador,
mas sim o medo da vida, que nos coloca a todo o momento em situações de decisão
e envolvimento.
Na vida, a indiferença é o posterior do medo
de usufruir as suas surpresas. É o medo de viver que impede as pessoas de viver
sem medo. Há pessoas que vivem morrendo, ainda que não morram a todo o instante,
são as angústias desnecessárias. Medo de viver uma relação de amor se assemelha
ao medo de perder a pessoa amada e viver a dor do vazio e das angústias do
abandono. Significa também, o temor de perder a sua identidade e autonomia,
como se o amor fosse uma ameaça à destruição da vida. Amor que impede a
independência, não é amor, é possessão. Amor que descaracteriza a identidade
não é amor, é tirania. Amar é ter a coragem de banir esses fantasmas que tentam
transformar-se de monstros aterradores para dificultar o processo de viver com
simplicidade e prazer.
Estaremos nós contribuindo para
reduzir as desigualdades aterradoras que se vê no mundo?
A vida está cheia de momentos e
circunstâncias nas quais optar pela indiferença nem sempre é a melhor
opção. Podemos importar-nos muito ou pouco, mas nunca podemos deixar de
sentir. Esse é um recurso que nos permite escolher alguns estímulos para
então senti-los, ou simplesmente afastá-los de nós. Portanto, a indiferença
absoluta nunca é possível
Sem qualquer sombra de dúvida.
Somos os autores do livro da nossa vida. Da maneira como vamos chegar às etapas
finais, dependerá da maneira como vivermos as etapas anteriores, eis que a
única coisa certa na nossa vida, é que ela teve um princípio e terá um fim, e
certamente o que acontecer no intervalo entre essas duas etapas, ficará por
nossa conta, por conta do nosso livre arbítrio...
Ilídio Bartolomeu

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