quarta-feira, 6 de maio de 2026

“ENQUANTO HOUVER REPRODUÇÃO HAVERÁ ESCRITA”

Eu, tenho uma voz interior que nunca se cala. Não é tipo coisa de doido, é a minha escrita e ela vive analisando, pensando, fazendo padrões, lembrando o futuro e o passado. É útil porque eu consigo viajar e assistir a filmes caseiros na minha cabeça, mas não é útil porque ela nunca, nunca se cala. Ela consegue distrair-se seguindo e analisando conversas, etc., mas nunca se silencia, a menos que eu consiga uns 2 segundos de atenção plena. Eu achava que isso era normal??? Estou exausto, por causa da minha escrita na cabeça??

A escrita é uma das mais profundas formas de expressão humana. Uma maneira de falar sem abrir a boca, de existir para além do silêncio. Nela, depositamos emoções, traumas, alegrias e memórias. Tudo o que nos atravessa encontra abrigo na ponta da caneta e, ali, transforma-se em história.

Escrever é, antes de tudo, um ato de resistência. Desde os tempos mais antigos, diferentes povos investigaram a sua existência no mundo. Gravaram símbolos em pedras, moldaram palavras no barro, desenharam cenas nas paredes para contar as suas histórias. Antes mesmo das letras, já havia escrita, uma escrita feita de imagens, de gestos, de marcas que atravessaram o tempo.

Com o passar dos séculos, a escrita evoluiu. Vieram o papel, a tinta, a imprensa, o computador. Hoje, digitamos em telas, escrevemos com rapidez, partilhamos ideias em segundos. Mas, apesar de todas essas transformações, a sua essência permanece a mesma: comunicar, registar, dar sentido à experiência humana.

A escrita é, portanto, uma tecnologia ancestral que nunca perde a sua relevância. Ela se reinventa nos meios, mas resiste no propósito. Está no lápis e no papel, no teclado e na tela, no carvão que desenha, na mente que organiza ideias. Está também nos traços que nos fazem “ler” sem palavras, nos símbolos que comunicam antes mesmo da linguagem formal.

Mais do que um instrumento, a escrita é uma necessidade. É por meio dela que nos reconhecemos, que compreendemos o mundo e que deixamos marcas para aqueles que virão depois de nós.

Enquanto houver humanidade, haverá escrita. E enquanto houver escrita, nenhuma voz estará completamente em silêncio. Enquanto houver vida humana, haverá dúvidas, e enquanto houver dúvidas haverá evolução.

Em suma, a expressão é um lembrete da resiliência humana e da teimosa capacidade de acreditar no futuro.

Blog Freixagosa

 

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