Entra ano e sai ano e as promessas tornam-se
grandes e muitas vezes irreais. Projetos são idealizados e não concretizados, a
frustração e o desânimo tornam-se companheiros cada vez mais frequentes.
Que tal começar hoje de uma forma
diferente já que são 44 anos passados apôs o 25 de Abril? O que gostariam de fazer a partir deste
momento que não fizeram desde há muito tempo? Pensem governantes da nossa Terra…
Pensem mesmo no que precisam fazer
para que esses projetos se realizem, e não continuem apenas no papel. Já
pensaram? Aqui é preciso gastar muitos neurónios para traçar um caminho real e
não no imaginário do que necessitam fazer para alcançar os objetivos, talvez em
parte seja mesmo isso.
Todos temos projetos planeados e
projetados, mas na hora ficam todos encalhados. O futuro ditará sabe-se lá
quando. Que pode chegar ou não. Só que com o problema do futuro é que não vivemos
bem. E quando vivemos, corremos o grande risco de desenvolver um transtorno
de ansiedade. Então pergunto-me, o que dessas promessas e projetos podemos
realizar hoje? Tudo isso como digo, é ficarmos apenas só com os projetos e não
impulsionar ninguém a chegar a lugar algum. É preciso saber onde queremos
chegar, como chegar, mas acima de tudo, dar a partida. Sair do lugar, dar o
primeiro passo! “Só é vencido quem não luta” As mentes de alguns indivíduos só
saberão que querem chegar a algum lugar, quando já estiverem fora do caminho.
No entanto, existe um erro nisto tudo.
Afinal de contas, muitos outros, já fizeram isso, tudo que planearam e
projetaram também nunca saiu do papel, e ao chegarem ao final dos mandatos,
permanecem com o mesmo sentimento, frustrados e com as mesmas ideias.
Por isso, não adianta planear só os
projetos e não os executar. O executar precisa ser agora, no calor da
motivação, da criatividade. Outro ponto determinante é sobreviver no percurso
da execução do projeto. Sair da zona de conforto é desgastante, instável
e inseguro. Por esses motivos, muitas vezes desistimos no meio do caminho.
Pois o meio do caminho é este lugar em transição, que não é mais de onde eu
estava, mas também, não é onde eu desejo chegar e ver o que todos vêm e parecem
satisfeitos com o nada... Essa transição gera a angústia da instabilidade, do
não saber ter ideias e mais desconcertante é não se dirigirem com firmeza a
quem de direito sem medo, fazer ver que há direitos, não só deveres. “Se vão
conseguir só depois se saberá”. No entanto, ficar preso às emoções da angústia
e insegurança, provavelmente ficarão vulneráveis a situações externas e assim
desistirão como têm feito sempre. Se os projetos são bons e reais; possíveis de
se realizarem; as emoções são próprias na fase de transição. Tenham coragem de
dar o primeiro passo de sair do ponto de partida e persistir na mudança.
Ainda pior que a convicção do não é
a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que incomoda, que entristece,
que mata trazendo tudo que poderiam ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda
joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase
amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas
chances que se perderam por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa
maldita mania de viver no desinteresse.
Pergunto-me, às vezes, o que leva a
escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta é
óbvia, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão
dos abraços, na indiferença do "Bom dia", quase que sussurrado. Resta
a falta de coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor pela terra
enlouquece e o desejo trai. Talvez esses sejam os motivos para decidir desta
maneira. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia
o vazio que cada um traz dentro de si.
Só nos resta ter que esperar e
pensar que pessoas apareçam e que façam a diferença, que desejem participar e
nos tragam ideias, ânimo e vontade e que façam algo para o bem comum, e que de
alguma maneira aconteça o despertar de algumas das brilhantes mentalidades de
que o 25 de Abril também chegou a esta Terra. Se essas pessoas aparecerem,
estou convencido que algo mudará, mesmo que seja só para fortalecer e iniciar
um novo processo de amizade entre todos os que nela habitam. Então sim, essas
pessoas terão condições para participar na vida de um povo que até hoje nada
tem progredido. "Mesmo que não signifique muito, é sempre bom começar bem
em qualquer momento”
Tudo isto ficará apenas no desejo e
no pensamento.
Ilídio Bartolomeu
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