| CRUZEIRO DE SANTO AMARO |
Argoselo é uma das freguesias do
concelho de Vimioso com uma população de cerca de 1500 habitantes e 500 fogos. hoje
fica a 15 quilómetros de Vimioso e a 30 de Bragança.
A Freguesia divide-se em três bairros:
Latedo onde se diz que era habitado pelos agricultores, bairro de baixo e
bairro de cima pelos negociantes.
Em tempos remotos sediaram-se em
Argoselo mais propriamente no bairro de baixo, inúmeros Judeus que deixaram
importante presença económica e cultural.
Segundo a tradição local, o negócio
das peles em Argoselo tem raízes judaicas. Assim referem os relatos dos antigos
peliqueiros e os vários documentos históricos escritos sobre as origens desta Terra.
Por este motivo as fabricas dos curtumes designados como “Plames”, se
situavam entre a zona do prado e o bairro de baixo. Mas, para além dos relatos populares,
também esses emigrantes Judeus que no século XV vieram para o nordeste de
Portugal estabeleceram-se em várias povoações, acrescentando que “nos lugares
de Argoselo e Carção exerceram uns a indústria de surradores de peles”.
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| PELE DE VACA CURTIDA NOS ANTIGOS PLAMES |
Em Argoselo, é comum dizer-se que
foram os Judeus, “finos” para o negócio e com tradições de comerciantes, e os
grandes responsáveis por terem deixado a “semente” dos peliqueiros, é por
isto mesmo que a compra de peles (bovinas, ovinas e caprinas) está relacionada
com Argoselo, daí, que os seus habitantes tenham sido apelidados de
peliqueiros.
No plano artes e oficios havia: funileiros,
ferreiros, alfaiates, sapateiros, barbeiros, carpiteiros, electricistas, albardeiros e mais recentemente instalou-se Indústria de serralharias, alumínios, lagar de
azeite estâncias de construção civil e industria de transformação de madeiras .
| FONTE DA ESPADANA |
Neste contexto havia várias fontes na
Freguesia: no prado, uma fonte e um tanque, na espadana, duas fontes e um
tanque para as lavadeiras, no bairro de baixo, a fonte das nogueiras, nas eiras
das éguas, a fonte da aquinhó e o tanque da escola, na praça, uma fonte e um
tanque cumprido, na gabilana, uma fonte. Por incrível que pareça atualmente só
existe: a fonte na espadana e a fonte da aquinhó, todas as outras foram
deitadas a baixo. Lembro que todas elas eram de valor patrimonial para Aldeia.
Também foram importantes para a
economia de Argoselo até aos anos 80 as minas de volfrâmio e estanho situadas
no sítio da cabreira onde empregava à volta de 250 pessoas.
Enquanto
funcionaram tiveram grande influência no desenvolvimento da Aldeia, tanto em
movimento de pessoas como de capitais.
| TANQUE DAS LAVADEIRAS NA ESPADANA |
Hoje, as minas como a maior parte destes
serviços, estão encerrados ou simplesmente já não exixtem.
Argoselo desde que eu me lembro as
casas começavam no cruzeiro de Santo Amaro e acabavam no cruzeiro de São
Sebastião, a partir dos anos 50, estendeu-se muito para um lado e para o outro,
ao ponto de Argoselo ser elevada a Vila em 19-4-2001.
Durante o ano realiza-se no dia, 23
de cada mês uma feira na Vila. Anualmente também se realiza a festa/feira da rosquilha
que tem como objetivo criar um certame de promoção e fomento das atividades
económicas, valorizando os produtos locais e regionais e a cultura. A rosquilha,
nesta época tem a sua importância para a Vila onde ocorre significativamente gente
à procura deste produto. A festa/feira da rosquilha já vai na sua nona edição à
época, e é organizada pela Junta de Freguesia com a colaboração da Camara de
Vimioso.
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| CRUZEIRO SANTO AMARO |
Durante o ano realizam-se varias
festas em honra dos Santos existentes na Freguesia, mas é durante o mês de agosto
que muitos filhos da terra regressam de vários pontos do país e estrangeiro
para visitarem a família e assistirem às festas, de Nossa Senhora das
Dores, Santa Barbara e de São
Bartolomeu.
Hoje a Vila de Argoselo,
confronta-se com um grave problema, a desertificação humana e tudo em geral.
Ilídio Bartolomeu




