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terça-feira, 28 de março de 2017

MAQUINAS COMEÇAM A MEXER EM ARGOSELO...





Argoselo, terra adormecida. Quase deserta e sujeita a uma má gestão que vem enterrando todo um passado histórico cada vez mais esquecido. Freguesia enteada de um concelho adormecido e fechado onde "nada se cria, nada se aproveita, tudo se tem perdido"
Diz a voz do povo, “quem cala consente”, é por este motivo, que perante uma ignóbil panóplia de falsas promessas e mentiras, veiculadas pelas pessoas que se candidatam para nos governar, prometem sistematicamente tudo e mais alguma coisa enganando os eleitores, que me proponho a repor a verdade dos factos.
Quanto à prepotência, arrogância, falta de respeito e outros adjetivos utilizados, são demonstrações de inferioridade, de quem não consegue equacionar-se pela honestidade de processos, trabalho, dedicação, empenho, conhecimento da causa autárquica.

Como é do conhecimento público, desde sempre manifestei o meu apoio a todas as Juntas de Freguesia depois de eleitas. No entanto e porque sou um observador atento aos desenvolvimentos do trabalho autárquico, não posso ficar calado, agora que é demais conhecido os contornos de uma teia montada de há muitos anos, têm que ouvir aquela que tem sido uma voz incómoda para tentar calar. Nada mais me resta, em defesa da transparência, que pretender criticar e divulgar tudo aquilo que vem acontecendo nesta Junta de Freguesia e até na própria Assembleia de Freguesia.

 A ausência de qualquer informação e o tentar silenciar todo um povo, são razões que considero suficientes para criticar esta Junta de Freguesia por não transmitir obrigatoriamente aos seus eleitores e todos os outros habitantes da Freguesia de Argoselo mais informação sobre as suas atividades. “Porque os bem-comportados vão ficando sempre para trás”.

Agora que já não falta muito tempo para as próximas eleições Autárquicas, virá brevemente, uma reunião com as estruturas locais do PSD e com os seus eleitos da Assembleia, para materializar desta forma uma estratégia de mobilização dos sociais-democratas, para os combates políticos que se avizinham, entre os quais se destacam as eleições autárquicas de 2017.

Relativamente aos assuntos de âmbito local, os destaques com certeza vão para a revisão das promessas que foram feitas e não executadas neste mandato, tendo de lamentar, o facto destas mesmas transitarem sempre de legislatura em legislatura. Reconhecendo também que não serão contra as obras já feitas ou que estão a decorrer na Freguesia, questionando sim, quando essas obras serão realizadas.

Do balanço deste mandato, sobre as obras feitas ao longo destes quatro anos, dirão que foram escassas ou nenhumas, destacando que pelo menos a obra de Ampliação do Cemitério, o Presidente da Câmara não nos pode negar este pedido. Assim foi logo, tiro e queda. Vá-se lá saber porquê? Áh!!! Já sei, porque os mortos reclamam mais espaço e conforto, a Junta mais uma receita… Os vivos!... os vivos têm as obras que merecem e cheguem no Povo, para eles tudo bem, não há problemas. Sabe como é Presidente, aqui a gente é pacífica… se queremos ser eleitos, e o Presidente também no próximo mandato, qualquer laracha e tudo feito; não sei se entende!… Mas como sempre, parece que foi para Argoselo ver… ou será que ainda não vai ser nesta legislatura?

A Comissão Política Local, no balanço, também não deixará de salientar o seu total desagrado à Comissão Política Concelhia de Vimioso do PSD, por considerarem que com as Camaras do PSD no poder, há mais de vinte e cinco anos, “os anos vão passando e esta nossa Terra, dos bem-comportados, vai ficando sempre para trás”.

Talvez também nesta reunião, tenham discutido que para a Freguesia, seria imperativo que se arranjassem políticas de defesa para os jovens, porque são eles o futuro. “Até porque julgo eu serem acérrimos defensores desta politica”.
“Quanto aos mais velhos até ao final do mandato, deverão trata-los com dignidade julgo eu também, como referiram a cima; dando-lhes mais espaço e conforto, tendo em conta um aumentozinho na fatura depois”. Não poderá ser doutra maneira como é sabido. Os vivos, estamos cá para ver.

Para finalizar não faltaram ainda críticas aos vereadores do PS, que ao estarem “na oposição”, mesmo assim não defendem a sua Terra em determinados assuntos. Talvez sejam estes os motivos dos atrasos das suas promessas nunca se concretizarem …sim! era o que mais faltava!…

No mesmo âmbito, foi ainda destacada a representatividade conquistada pelos PSDS locais nas eleições realizadas, na referida reunião para os diferentes órgãos da próxima Junta de Freguesia, e membros da Assembleia de Freguesia. No final, veio o contentamento; isto vai ser limpinho, limpinho!... o Sr. Presidente pode contar com estes amigos…

Ilídio Bartolomeu

RETALHOS DE UMA VIDA … SOFRIDA… MAS VITORIOSA…

AUTOBIOGRAFIA

 Chamo-me Ilídio Carvalho Bartolomeu.

Nasci em Argoselo, concelho de Vimioso e Distrito de Bragança, entre o dia, 22 e 23 de dezembro, era o que me dizia a minha mãezinha, mas o certo é que estou registado em 18 de Julho de 1947, iniciando assim o meu percurso na estrada da vida.
Fui o quarto filho dos meus pais. Nasci e logo a minha mãe se encontrou doente, tendo sido internada, deixando-me aos cuidados do meu pai e amamentado pela Maria Gala “Padeira,” durante dois anos, depois de se encontrar um pouco melhor, teve mais uns 7 ou 8 filhos, sendo que a última foi uma rapariga.
Nasci no seio de uma família humilde e guardo muitas lembranças das brincadeiras de rua com os meus irmãos, amigos e primos.

Um caso incomodativo…

Entrei no ensino primário tinha eu 7 anos, e porque ainda era muito pequenino, posso dizer que tive algumas boas lembranças no primeiro ano. Passei para a segunda classe e, a partir daqui suspendi os estudos na escola. Desde aí, fui um menino muito amargurado, por tudo o que me aconteceu, explico:

A coisa mais cruel é que alguém, pode deixar e permitir que outra pessoa imponha o que quer fazer a alguém...

 Este caso aconteceu comigo quando eu tinha ainda sete anos de idade, tratou-se de um caso muito cruel e malvadez, quando não queria ser agarrado por um adulto de 18 anos e me prendeu uma corda à cintura, levando-me pela estrada arrastado, ao ponto de ficar com uma das pernas toda esfolada, e que apenas em três dias ficou tão inflamada, tive que ser internado e submetido a uma operação cirúrgica muito grave, o que me valeu a permanência de um ano e 24 dias hospitalizado, o que me ia custando a amputação da perna. Graças a Deus isso não veio acontecer, consegui seguir em frente, fui capaz de aguentar e continuar tentando resistir com todas as minhas forças. Assim, consegui ultrapassar essa crueldade, mas que me deixou marcado para toda a vida.

Audácia e firmeza…

Mas, com tudo isto, eu tinha que continuar os estudos na escola primária, pelo menos para concluir a quarta classe, mas eu que já tinha nove anos, envergonhava-me de começar na segunda classe. Vai daí, então falei com a contínua da escola, que na altura era a menina Augusta Fona. Reclamei que não queria ir frequentar a segunda classe, pedi-lhe então para me matricular na terceira classe e que não a iria deixar mal vista, como veio acontecer. Por sinal, até fui um dos melhores alunos até à quarta classe. Os meus colegas de escola chamavam-me “o marreco” porque tinha as pernas arcadas, por ser um pouquinho gordo e corria muito à “buxa nova”, um jogo tradicional. Pois a minha alimentação não tinha como ser gordinho, porque de facto eu, era e continuo a ser bastante esquisito nas comidas.
 Aqui sim, posso dizer que tive boas recordações, a minha infância começou-me a devolver toda a felicidade que tinha sido interrompida. Também, para além das brincadeiras e traquinices, recordo-me do que os meus pais me transmitiam valores muito importantes: a honestidade, humildade, amizade, entre outros. Confesso, que fui um pouco rebelde para com a minha mãe e por motivos que agora não interessa, não vou nem quero evocar, mas esquecer estes episódios tristes e pedir-lhe arrependimento e perdão.

Ainda não sabia o que queria...

Concluído o ensino primário, aos 12 anos de idade, comecei a ser diferente, tornei-me um pouco mais autónomo e responsável. Era bem comportado, mas um pouco tímido, fiz amigos, alguns ainda se mantêm, mas, poucos, porque cada um seguiu a sua a vida e eu fiquei por aqui, porque tinha que ajudar os meus pais. A partir daqui, o meu quotidiano de vida, nunca foi dos melhores, a vida do interior, foi sempre bem sofrida, falta de água, fome, casa muito precária, enfim, só eu sei o dia-a-dia complicado em que vivia. Fui uma pessoa comum, como qualquer outro pré-adolescente da aldeia de Argoselo, tinha sonhos, objetivos, mas nem sempre tive as mesmas oportunidades como outros que tinham os pais com mais posses financeiras.
 Comecei a trabalhar cedo e ter responsabilidades. Aos 14 anos eu já estava nas estradas e florestas com enxadas e picaretas ao sol árduo da meia tarde. Mais tarde fui para as minas, onde andava a trabalhar enterrado de lama até à cintura. Todo esse sacrifício para ganhar 120 escudos por mês, para fruto de um pão e uma malga de caldo à noite ao jantar, um arroz e feijão ou batatas ao almoço. Nem sempre tive o que comer, ia muitas vezes para a cama com a barriga roncando, e com o pensamento, de que ao amanhecer tinha que acordar. Comia um simples carolo de pão e ia novamente para mais um cansativo dia de trabalho. Tudo isto porque não queria seguir a profissão do meu pai, que era alfaiate.

Tomei uma decisão...

Neste período de pré-adolescência, de mudança, de dúvidas, de curiosidades, inicia-se uma nova etapa. Decidi ir trabalhar para o Estoril, em 1965. Fui sozinho sem conhecer ninguém. De início foi um pouco complicado, senti-me sozinho e triste.
Para quem ache que, só sofri, está enganado, também tive os meus momentos de lazer e entretenimento, quando me foi proporcionado um emprego no Casino Estoril. Esses momentos foram alguns felizes, outros também foram bastante duros; primeiro comecei a lavar pratos e copos durante um ano. Ao mesmo tempo fui tirar o curso de empregado de mesa em Lisboa. Depois sim, passei a trabalhar como empregado de mesa no restaurante, aqui trabalhava-se muito, servíamos muitos banquetes de 800, 900 e até 1200 pessoas. Além disso, os empregados de mesa tinham que ser também estivadores, o que quer dizer, que tínhamos que andar a transportar as mesas bem pesadas às costas e colocá-las de maneira que os clientes pudessem caber dentro do espaço do restaurante. Ora este trabalho foi bastante pesado, sendo eu uma pessoa que desde dos meus sete anos sempre sofri de uma doença dos ossos, as probabilidades eram mais que certas de vir a sofrer cada vez mais, como expliquei acima.

A vida é um presente de Deus e o casamento é o começo de uma nova vida…

Chegou um momento na vida em que conheci uma pessoa quando no ano de 1971 fui de férias e visitei uns familiares em Bragança. Fixei-a de tal maneira, como se alguém tivesse passado pela minha mente e me disse: esta vai ser a tua cara-metade! Depois disto, era claro que a solução só dependia de mim. Mas como começar a conversar? Alguns homens têm dificuldade nesse cenário, eu também me incluía neste rol muito sinceramente, quando este assunto era sério para a conquistar, porque de facto, ela deixava-me os olhos em bico e o coração despedaçado se a minha timidez fosse ao ponto de desistir da mensagem que a minha mente recebeu.
Perante isto, só tinha que entrar na conversa e entrei bem, dizendo-lhe se conhecia os meus primos. A partir daqui foi a porta de entrada para lhe dizer que era muito bonita e outros gracejos como se gostaria de ficar como amiga. É claro que para mim foi muito difícil, porque quando se conhece alguém há algum tempo e se tem algum relacionamento, torna-se mais fácil, não era o meu caso. Mas realmente tinha que começar a conversar por algum lado, mesmo que levasse uma grande tampa. Pelo contrário, fui muito bem correspondido, até pareceu que o destino queria a gente juntos para sempre. Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém, posso apenas dar boas razões que gostem de mim, e ter paciência para que a vida faça o resto.
Foi um privilégio encontrar-te. Tudo aconteceu tão rápido e de repente, mas foi suficiente para eu nunca esquecer, imaginando momentos, viajando no tempo, criando uma vida em que estou contigo, sentindo-me triste e lento, quando percebo que não estás ainda perto de mim, porque és a metade que me faz falta aqui…
Sim! Comecei logo a pensar no futuro e a planeá-lo de forma conjunta, seja casar, e de começar uma vida a dois.
Começar uma vida a dois, significa que o homem e a mulher, afirmam um para o outro o seu sentimento e a vontade que têm em construir e desfrutar de uma vida em comum. Assim, apostamos, na partilha das tristezas, alegrias e emoções, dividimos o que temos e fazemos planos para o futuro, nomeadamente fazer a família crescer. Depois casados, o meu trabalho continua no Casino-Estoril, agora com mais responsabilidades e sempre à espera que a minha vida profissional seja mais auspiciosa, até que os chefes um dia, achem que estou apto para desempenhar outra função no restaurante, como chefe de turno e ganhar mais algum dinheiro. No final de contas, eu fui encontrar quem estava a procurar, mas também quem estava a esperar por mim! E tive logo a perceção, que esta mulher tinha instinto adorável e fazia qualquer homem sofrer...  logo descobri que o apaixonar era inevitável, e de repente tive a intuição que devia tomar e seguir um caminho apôs este sonho, uma situação que se tornou na minha vida que o acreditar não acontece por acaso. Coincidência? Talvez sim… talvez não… mas que estávamos guardados um para o outro, parece não deixar dúvidas, que o sofrimento de ambos que passamos foi quase semelhante, também me faz pensar!
Como ser reconhecido e promovido? Mostrando todo o meu potencial no trabalho e ser ambicioso…

Nunca refutei o trabalho, muito menos me refugiei na fama que os meus colegas que me queriam dar, pelo facto de ser da Terra do Patrão. Não! Podia até ter aproveitado, mas o meu caráter não era esse, preferi ter algum estatuto dedicando-me ao trabalho não faltando, porque um dia tinha gripe, outra vez porque me doía a barriga ou a cabeça, ou porque embirrei com este ou aquele colega, justificando-me depois com uma falta justificada médica. Não! Estava sempre presente, ganhando a confiança dos meus chefes, sem que nunca, mas mesmo nunca humilhasse ninguém, nem ninguém tivesse que dizer: olha!... Ele ultrapassou tudo e todos porque é o menino protegido dos chefes ou do Patrão.
 Apesar de gozar dessa fama e privilégios, que os meus colegas tanto apregoavam, muitas vezes levava-me a querer que estava mesmo protegido por alguém. Mas se realmente era assim, então eu fui muito ingénuo, porque nunca fui beneficiado por esse alegado protetor. Posso declarar solenemente, se eu subi ou tinha algum estatuto, foi com o meu empenho dedicação e mérito próprio. Se podia ser mais favorecido, neste caso, lá isso podia, mas era preciso ter jeito e estomago para ser lambe botas, coisa que não ligava comigo.
Mas, se estavam a mencionar como penso que seria o meu protetor o Senhor Dr. Manuel Teles, administrador do Casino - Estoril, posso afirmar: que era um grande homem, um grande amigo meu, uma pessoa justa e faladora para com os empregados. A esse Senhor Dr. Manuel Teles devo-lhe muitos favores pessoais. Ficar-lhe-ei muito grato toda a minha vida. Profissionalmente, pedi-lhe um favor e não mo concedeu, mas mesmo assim, nunca deixei de considerar o Grande Homem Humanista, que era. Subi na vida profissional, porque os chefes achavam que era merecedor.

Tudo fiz em prol de Argoselo, Minha Terra Natal…

No entanto, grande parte das pessoas tem para além da vida profissional, um obi. Desde 1966 comecei a gostar muito de áudio e vídeo. Fiz muitos filmes de 8mm, mas tornava-se muito difícil para os revelar, visto que se gastava muito dinheiro. Em 1980 apareceram as máquinas de filmar Beta e VHS. Claro, comprei uma, e desde então tornei-me num autodidata. Realmente tinha jeito para fazer coisas interessantes!
Se não sabem, ficam a saber, eu desde sempre fui um obstinado defensor por Argoselo e continuo a sê-lo. Então, achei que o projeto que eu tinha na cabeça para a minha terra seria um plano para o colocar mesmo em prática e assim aconteceu.
Comecei então a filmar tudo o que em Argoselo se fazia ao longo do ano, quando ia de férias. Dei o título ao filme: (Usos, Costumes e Tradições) são sete capítulos todos comentados e escritos no (blogue São Bartolomeu Freixagosa) por várias pessoas da terra, com grandes conhecimentos das tradições de Argoselo. Este filme já foi exibido uma vez em 2015 nas festas de verão.
Eu nunca tive uma presença forte online. Dito isto, no geral sempre fui indo, com mais ou menos dificuldade, mas o essencial eu fiz, e consegui colocar o nome de (Argoselo em todo o Mundo) graças às imagens e paisagens que gravei e pulas a circular na internet pelas redes sociais, meios de comunicação de grande alcance. Agora sim, a Minha Terra está no Mapa! Deixo um vasto Património sobre Argoselo, para que gerações vindouras possam orgulhar-se desta rica herança, que os nossos antepassados nos deixaram. Gostava que esta geração mais nova, olhasse um pouco mais pela sua Terra, que fosse mais bairrista, sem azedumes ou murmúrios, haja só vontade e o querer disponibilizar-se.
Nunca procurei protagonismo ou amizades por interesses, também não quero ser bajulado ou relevante, somente prestei um contributo à comunidade e à Terra que me viu Nascer. Sempre expressei a minha preocupação perante pessoas, que só olham para o seu umbigo, sem que minimamente se preocupem com comunidade.

Resistir às diversidades…

Tudo me estava a correr bem na vida, um bom emprego, uma esposa admirável, tudo ela sabe fazer; cozinhar, costurar e com uma cultura geral muito razoável. Eis, que, quando menos se espera, o infortúnio bateu-nos à porta. Na verdade, nem sempre este momento importante da vida se torna completamente perfeito e ideal. Pode aparecer sempre entraves no início desta nova fase da relação. Mas independentemente de tudo isso, se houver muito amor, confiança, vontade e dedicação, decerto que tudo irá correr pelo melhor.
 A vida poderá ser um fardo insuportável, quando alguém se agarra aos desgostos antigos, carregando todas as deceções do passado e quando as acrescenta às do presente. Mas se agimos com serenidade temos a prerrogativa de enfrentar os infortúnios da vida com mais facilidade e aceitação. Todos os infortúnios devem ser encarados com naturalidade e resolvidos, com a mente serena e a alma em paz.
Os infortúnios, ou seja, a desgraça, o azar, a desventura, a tragédia, o flagelo, a fatalidade, afligem a vida de todos os seres humanos, Não podemos evitar, nem prever, mas podemos tentar suavizar os seus efeitos devastadores. Com a consciência serena e corajosa, ajuda muito nesta tarefa, porque contra os infortúnios da vida a lamentação de nada adianta, somente agrava e retarda o problema, portanto, nestes momentos usei a sabedoria agindo com muita firmeza e controle.

A todos nos pode bater à porta. Muita gente pensa que as calamidades só acontecem aos outros, mas nem sempre é assim, quando menos se espera, estamos nós a cair nessa situação. Nunca se pode dizer - “desta água não beberei”.
Mas, o meu lema era continuar a trabalhar e não ficar a chorar o leite derramado, à espera que alguém faça por mim o que tenho de fazer eu. É começar de início e levantar a cabeça. Em frente é que é o caminho. Enquanto trabalhei, baixas médicas, estive por duas vezes, e sempre por causa de ter que me submeter a intervenções cirúrgicas. A primeira à apendicite, foi logo um mês depois de estar no Estoril e outra foi a partir dos meus 55 anos à coluna. Desde então, aqui estou a pagar tudo isso com limitações de mobilidade e sacrifício sem poder fazer nada.

Tudo bem, quando tudo termina bem!...

 Foi o fim da minha carreira profissional apôs 45 anos de trabalho sempre no Casino, sabendo que cumpri o meu dever, sem que tivesse justificar uma falta sequer o que é extraordinário, sem conflitos com os chefes, com os colegas ou quem quer que fosse. Talvez uma ou outra implicância passageira como é normal, quando se trabalha com muitos colegas, ou quando se é encarregado de secções e tem vários funcionários a seu encargo. Por tudo isto, pelo empenho, dedicação, lealdade, assíduo e bem-humorado, aos 30 anos de casa fui recompensado com um relógio como prova de um funcionário exemplar.
Foram tempos, que não vou esquecer, os momentos bons, menos bons e maus, os convívios, almoçaradas e boas relações entre colegas e amigos, tudo isso agora me faz pensar o quanto a minha vida, tão feliz, tão rica quanto de uma pessoa bem-sucedida. Sou Argoselense, mas além de tudo sou Português e nunca fugi às minhas responsabilidades, tanto no trabalho como na família. A família esteve sempre em primeiro lugar.

Sou Cristão…Tenho Fé… Faria tudo na mesma, menos um certo episódio…

Deus quis que a Minha Mulher não tivesse filhos. Também aqui, o futuro nos pregou mais uma partida e algumas dificuldades, além de tudo, fomos e somos muito felizes há quarenta e quatro anos. Ao contrário do que parece, por tudo isso, criamos uma criança, com todo o carinho, independente de qualquer preconceito, hoje é uma mulher formada, casada e tem três crianças. Por tudo isto, juntando; sofrimentos, alegrias, criar uma filha de coração e ter três netinhos, vale a pena viver.
Se me perguntam: a tua vida foi então um oásis? Eu diria que sim! Se não vejam; por tudo o que passei, de bom e de mau, estar aqui vivinho da silva, com um pouco menos de saúde é verdade, mas ter concretizado todos os meus sonhos, projetos de vida, e desejos de obis, foi para mim algo de satisfação, de uma conquista capaz de colmatar muitos momentos desagradáveis, que me aconteceram na vida.
As minhas vivências pessoais foram iguais às de tantas outras pessoas, aprendi e desaprendi como toda a gente.
Apôs esta discrição, concluo que o saldo da minha vida tem sido muito positivo, só para exemplificar: Não imaginava ter uma casa confortável, uma esposa sempre ao meu lado ajudando-me nesta altura bem difícil da minha vida, um carro, gente que gosta de mim e tantas coisas boas que aconteceram. Que mais posso querer eu? A não ser um pouco mais de saúde!... Por tudo isto, digo novamente, vale a pena viver!

Ilídio Bartolomeu
Estoril, 28-3-2017 

terça-feira, 21 de março de 2017

A RAZÃO DA NOSSA ESCOLHA SÃO OS VOTOS...

As Autárquicas já mexem, atenção que a partir de agora os favores vão começar ser muito bem pagos!...

O voto deve ser a manifestação livre de cada cidadão, por isto precisamos votar de maneira livre e consciente. Costumam dizer que “cada povo tem a Junta de Freguesia que merece!” Será realmente? Nem todas as pessoas devem pensar assim, e realmente acredito que nem todas pensem assim”.
No dia de realizarmos a nossa escolha, estamos diante de uma eleição na qual elegeremos os nossos representantes, Junta de Freguesia, além dos representantes da Assembleia.

O momento é extremamente importante para Argoselo, e para nossos destinos. É preciso escolher bem, analisando seriamente a história dos candidatos e, especialmente, votar em candidatos que respondam aos ensejos das pessoas e de Argoselo. Vamos lá deixarmos de conversas fiadas dos mesmos; sejam do PSD ou PS, deixemos os partidos, vamos escolher pessoas que nos digam algo de concreto, para o bem-estar das pessoas e de Argoselo. “falar é fácil, fazer é que é difícil”, mudar é sempre bom, porque quem espera sempre alcança.

Em todos os atos eleitorais nos foi apresentado um novo cenário, e novas promessas, porém os atores são sempre os mesmos. Muitas aldrabices e muitas promessas foram renovadas. Agora está a chegar a hora de refletir, analisar e julgar. As personagens e os atos que temos assistido são iguais, os mesmos de sempre.

 Às vezes fico a pensar; será que os eleitores no dia da votação se recordam em quem votaram? Vamos lá, fazer um esforço. Lembra ou não se lembra? Caso ainda lembrem, recordem então o que fizeram por Argoselo e bem-estar dos seus eleitores? Têm algumas noticias das promessas e projetos que se transformassem, em ações?

 Então deixai que vos diga: quando forem a exercer a vossa cidadania, o direito de voto, livre e soberano, será que o farão em consciência? Há muito tempo ainda para pensar. Que tal iniciar agora uma análise sobre  esta Junta em funcionamento, principalmente aqueles que os ajudou a eleger há quatro anos? Ainda se lembram do que eles fizeram até agora pelo Povo? É possível que sim.

Os eleitores devem ter algumas preocupações quando forem exercer o seu direito de voto. Entre as preocupações, podemos destacar: uma, votar nos candidatos ficha limpa, duas, não votar em quem tenta comprar os nossos votos. Fique atento a isto que vos digo!... Para eles, sabem muito bem o que querem. Agora o que eles não sabem, é o que hão-de dar ao Povo!... falta-lhes solidariedade e partilha…

Quando efetivamente exercemos o nosso direito de voto livremente? Quando temos eleições livres e limpas em Argoselo? É preciso reagir e mostrar que as eleições se fazem com propostas, projetos e principalmente compromissos, ética e a verdade. É preciso ficar vigilante nestas pessoas e na consciência da valorização do nosso voto, pois os votos não têm preço, têm sim consequências.

E, portanto, no dia da votação, o nosso voto é a nossa arma aos candidatos que se irão apresentar à eleição tentando comprar o nosso voto, aqui devemos denunciar e não votar, e dizer a eles: o meu voto não tem preço, o meu voto é consciente!...

Sejamos todos cidadãos. Vamos escolher de forma consciente, não vamos deixar comprar o nosso voto, tenhamos uma história da qual nos podemos orgulhar.
Portanto, finalizo com estas palavras: “como sei pouco, e sou pouco, faço o que me cabe dedicando-me por inteiro à causa de Argoselo, Minha Terra. Sabendo que não vou ver a pessoa que quero ser” …
Os votos são importantes, vamos pensar bem, façamos isto por Argoselo, porque corpo tem muito, mas falta-lhe muita alma!... já chega desta ausência de coragem a que nos temos deixado  submeter…


Ilídio Bartolomeu

quinta-feira, 16 de março de 2017

A IMPORTANCIA QUE TEM ESTA FEIRA DA ROSQUILHA EM ARGOSELO…


Coincidindo com a proximidade das Festas da Pascoa, a diversidade marca esta Vila de Argoselo.
No próximo dia 2 de abril, realiza-se a Feira da Rosquilha onde há treze anos com a participação de vários expositores mostram os produtos e sabores de Argoselo e concelho, nomeadamente azeite, mel, enchidos, frutícolas, cutelaria e artesanato, sendo a marca em destaque a Rosquilha. Também não falta muita animação onde faz parte do programa a música tradicional, folclore e banda de música.
Com a realização desta feira durante dois dias, segundo a Junta de Freguesia pretende dar visibilidade e gerar oportunidades de negócios para os produtores agrícolas e artesãos locais e da região, possibilitando, desta forma o desenvolvimento do setor primário e, simultaneamente, promover os seus produtos. Este objetivo é dar vida à nossa Vila e gerar mais-valias para a comercialização dos seus produtos.

Ainda sobre estas feiras, é relevante destacar que as mesmas representam uma importante estratégia de promoção para escoar a produção dos agricultores que produzem os seus vários tipos de produtos de alimentos para os vender, e de alguma maneira beneficiados por permitir uma remuneração justa pelo produto vendido, uma vez que são os próprios produtores a comercia-los diretamente ao consumidor final sem passar por intermediários.

Muito antigas e com diversas hipóteses sobre o marco histórico do seu surgimento, as feiras livres são sem dúvida parte da paisagem das pequenas às grandes cidades. Estas feiras possuem grande importância sócio cultural, uma vez que as mesmas são muito mais que apenas espaços de transações comerciais, são espaços de interação entre as pessoas e que ainda preservam a diversidade da nossa cultura popular e alimentar. Talvez por estas e outras razões, as feiras resistam nesse contexto onde a correria do mundo do trabalho impõe que as pessoas deixem de correr às compras, nas grandes redes de supermercados.

A FEIRA DA ROSQUILHA ARGOSELO
O artesanato, constitui como principal meio de produção de mercadorias.
  As feiras, criadas pelos mercadores, destacaram-se como importantes entrepostos comerciais e como centro do desenvolvimento dos povos.
É inegável que os recordes de vendas seja o desejado pelas organizações, mas paralelamente noto, que a atividade principal durante a feira, termina por ser a participação de eventos, o início de novos contatos, as conversas com amigos e visitantes, entre outras valiosas distrações.

Ilídio Bartolomeu