domingo, 26 de março de 2023

ARGOSELO ATÉ PARECE SER SÓ DE ALGUNS…


Para que todos os argoselenses saibam, O Blog Freixagosa é um site informativo para divulgar noticias, eventos, mostra de paisagens, contar histórias, escrever sobre qualquer tipo de assunto e publicar para que todos os conterrâneos tenham conhecimento do que se passa na nossa terra. No Blog Freixagosa, toda a gente da terra  podem participar, enviando as noticias do dia a dia, no sitio dos comentários para depois as desenvolver se for o caso.

A Feira da Rosquilha, decorreu no sábado passado, 25 de março, passou despercebida da maioria dos argoselenses ou a divulgação funcionou muito mal pelos responsáveis. A Junta de Freguesia, tem que se deixar de polémicas e ser mais informativa, a desinformação assumida só afetada Argoselo, a comunidade e gera confronto.

Algumas pessoas parecem ter gosto de complicar as coisas e deixar toda a gente irritada sem motivo algum.

Acho que às vezes a gente é que complica tudo, mesmo. Complica por colocar os seus egos à frente de tudo. Por pensar mais em si em primeiro lugar, do que no outro,  sem se preocupar se está ou não preparado, só sabe que quer assim, e é assim que tem de ser.

Quase sempre temos a escolha de manter distância de pessoas assim, mas, volta e meia, não podemos deixar de interagir com elas, porque precisamos ter um certo grau de convivência no cotidiano e evitar conflitos.

Normalmente estas pessoas cuja convivência é minada por mau humor, jogos de poder, chantagem emocional, má vontade, entre outras condutas que dificultam as situações sem motivo aparente. A partir de então, muitos se perguntam “qual é o problema destas pessoas?” para ter um comportamento considerado difícil e complexo.

Seja como for, a maneira como as pessoas difíceis de lidar e agem, tem mais a ver com elas do que com quem está ao seu redor, porque possuem dificuldade para ter interações de qualidade com os demais, e acham-se no direito de ter uma postura altiva. Por isso, é preciso aprender a lidar com elas da melhor maneira possível.

Como lidar e reagir com estas pessoas difíceis? É não se aborrecer, não perder a paciência, não guardar rancor, não dar respostas desagradáveis e procurar ignorar o máximo que poder, lidar com elas sem que daí resultem reações intensas, lidar com elas todos os dias é história.

É preciso lembrar que, embora as pessoas difíceis possam aborrecer de vez em quando, elas também merecem o nossa empatia e respeito e tentar ser compassivo com pessoas assim. Nem todas as batalhas merecem ser travadas, principalmente quando se precisa conviver com alguém difícil. Manter a calma antes de tomar uma decisão acerca de como resolver um impasse com a pessoa difícil.

ARGOSELO, é de todos, todos vivem esperando que as coisas mudem, que as pessoas mudem. Até que um dia nada mais precisa mudar

Ilídio Bartolomeu 


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domingo, 19 de março de 2023

VISITA Á REGIÃO DE VIMIOSO


 
A Vila de Vimioso

Somos um casal, juntos viajamos para conhecer a história, a cultura, as pessoas e a gastronomia de outros lugares.

Gosto de sair, conhecer ou reviver lugares. Tenho certa preferência por natureza. Gosto de comer, pois são uns dos melhores prazeres da vida! Gosto de registar momentos, escrevendo ou fotografando-os, normalmente faço os dois quando tenho oportunidade.

Não conheço muito bem a região e decidi escolher um sítio para fazer de base o fim de semana, fazer umas saídas pelas redondezas e ficar a conhecê-la melhor. Escolhi a Vila de Vimioso, que me pareceu adequada e retirei da internet referências dos Hotéis: a Residencial Central, Hotel Rural Sra. de Pereiras e a Albergaria a Vileira.

Pelas Ruas de Vimioso

Num dia bonito de Julho, pelas 11H30, entrei na vila e sem sair do carro dei uma volta de reconhecimento. Agradou-me o ambiente: limpo, verdejante, pouca gente e trânsito quase nulo. À primeira vista, o local era bom para o que pretendia. De seguida fui procurar os hotéis onde ficar o fim de semana. A meio de uma rua larga, com duas faixas de rodagem, vislumbrei ao fundo e disse para minha esposa – Olha ali Albergaria A Vileira.

A Albergaria A Vileira

Como uns amigos nossos nos tinham recomendado que no Restaurante a Vileira se comia muito bem, e eu já lá tinha almoçado com o meu irmão Ramiro, decidimos parar e ficar por aqui. Enquanto arrumamos as malas, chegou a hora de almoçar. Ao entrar no restaurante, mal nos sentamos na mesa, fomos bem recebidos pelo empregado, deu-nos as boas-vindas e o menu para escolhermos o que queríamos comer. O menu, tinha uma grande variedade de enchidos e pratos à base de carne, o habitual bacalhau na brasa e polvo. Escolhemos a posta de vitela assada na brasa à mirandesa como prato principal. As entradas na mesa, não faltaram: presunto, alheira,  chouriço, salpicão,  peixinhos do rio, queijos e o verdadeiro pão transmontano, muito saboroso, contrastado pela côdea estaladiça, enquanto não chegava a tão famosa posta de vitela assada na brasa à mirandesa. 

Restaurante a Vileira Vimioso

A posta não estava bem nem mal passada, estava no ponto, suculenta deliciosa e bem servida. Toda a refeição foi acompanhada pelos bons vinhos da região. Para finalizar os doces: a bôla doce e os pastéis de amêndoa, uh! foi a cereja no topo da refeição. Serviço simpático. 

Uma vez estabelecida, uma memória emocional parece ficar para sempre. Do ponto de vista da evolução é extremamente funcional nunca esquecer os acontecimentos  maus e bons da vida.

Gosto de viajar devagar, de conhecer pessoas, de ouvir as suas histórias, de experimentar as comidas. Comecei então  a visitar os sítios da Vila que mais me marcaram quando eu tinha sete anos, É claro que não tenho como conhecer todas as 22 aldeias do concelho, selecionei aquelas onde tenho mais curiosidades, além da Vila de Vimioso: Algoso, Vale de Frades, Caçarelhos e Uva.

O Tribunal de Vimioso

É difícil passar por experiências traumáticas e conseguir superá-las. A maior parte das vezes é preciso ajuda de especialistas para aprender a lidar com vivências passadas que me marcaram pela negativa. Fui mostrar à minha esposa o Tribunal de más memórias. Foi um caso bastante divulgado no ano de 1955, que me aconteceu. Tinha sete anos quando tive um acidente, a pessoa que o provocou era um dos ricos da terra, não quis assumir, vai daí, o meu pai leva o caso a tribunal. Após um ano na justiça, a pessoa ficou impune… naquela altura, os ricos eram poderosos compravam tudo e todos. Por este motivo, meu pai e eu, íamos muitas vezes à Vila. Muito perto do Tribunal, fica a escola que me traz à memória o meu exame da 4ª classe (1956-1957) e os meus companheiros de escola.


Câmara Municipal de Vimioso

A Taberna do “Panarra”, que ficava na primeira transversal à direita, quem vai para a Câmara e segue para o largo da Igreja Matriz, era onde almoçávamos. Sem uma lista fixa, cada dia tinha petiscos diferentes, que nos eram expostos num quadro de ardósia petiscos sobejamente conhecidos por todos: bolos de bacalhau, pataniscas, polvo, peixinhos do rio em escabeche e salada de orelha de porco. Mas eu gostava mesmo era do bacalhau frito e das petingas fritas, em doses muito bem servidas. No final não esquecíamos de pedir um caldo verde com as respetivas rodelas de chouriço. Só por este  razão bastava para visitar esta tasca de Vimioso! Não será um exagero dizer que na altura a Taberna do “Panarra”, era a mais afamada de Vimioso.

Igreja Matriz de Vimioso

Chegamos à Igreja Matriz, estava aberta, fomos convidados a visita-la e que fechássemos a porta quando saíssemos. Igreja de Linhas Maneiristas sendo que no seu interior possui Retábulos Barrocos. Uma Igreja digna de orgulho e de visita. O património desta Vila, não termina aqui. Fazem ainda parte do espólio edificado  alguns solares brasonados, uma fonte, um cruzeiro o Pelourinho e outros lugares de interesse.

Termas da Terronha Vimioso

Desta feita segui viagem  até ao vale do Rio Angueira, onde se instalam as termas da Terronha, com uma envolvente paisagem natural, que convida ao descanso. Estas águas medicinais são indicadas e sugeridas ao tratamento das vias respiratórias, reumáticos, dermatológicos ao invés do uso de fármacos. Neste espaço de saúde e bem-estar, há também salas de massagem e relaxamento.

O Pinta- Parque Aventura e Natureza em Vimioso

De regresso fui visitar o PINTA ― Parque Ibérico Natureza e Aventura, onde oferece a oportunidade de contactar com a cultura, as tradições e a biodiversidade dos vales moldados pelos rios Angueira, Sabor e Maçãs. As visitas podem ser feitas a cavalo nos burros disponíveis no local.

Cruzeiro de Caçarelhos

Daqui fui para Caçarelhos, queria muito ver os “Cabanais” Muito interessante!!! Nunca tinha ouvido falar neste tipo de "Cabanais" com tanta utilidade... Uma autêntica pérola rara em granito. Destaco ainda a Igreja, não tive oportunidade de entrar dentro, e um cruzeiro. Caçarelhos preserva o património, as tradições e os velhos costumes.

Ponte entre Vale de Frades e Avelanoso 

No domingo, fui a Vale de Frades recordar uma das fases da minha vida. Queria muito passar pelo troço de estrada que vai para a aldeia que ajudei a fazer, no âmbito de asfaltamento realizado pela empresa Quaresma. Tinha eu 13 anos. Num contexto de miséria e dificuldades, os filhos aprenderam a ajudar os pais em atividades laborais desde cedo. Com poucas chances de ir estudar, os adolescentes com este perfil, tinham de trabalhar. Era um trabalho para dar suporte financeiro aos pais. A pobreza é que causava tudo isso. Continuei a visita, aproveitei para ver trabalhos de cobre, conhecer a  Igreja Matriz por dentro mas estava fechada, por fim fui ver a ponte Românica que atravessa o Rio Angueira para Avelanoso. Muito bonita.

Os Pombais da Aldeia de Uva

Passei pela pequena Aldeia de Uva, mais ou menos isolada, rodeada de montanhas está à espera de ser descoberta. Fui a esta aldeia talvez das mais bonita do Concelho de Vimioso. Há destinos mais populares e outros mais desconhecidos, mas em todos, o património se conjuga com o natural, nessa harmonia, que é a génese da identidade cultural destas localidades. Os Pombais, não pude deixar de reparar nas pequenas estruturas redondas, em forma de ferradura que surgem da paisagem. Além da Igreja Mariz, Uva tem outra no centro da aldeia, já a principal situa-se um pouco fora do povoado. Já conhecia.

o Castelo de Algoso

Finalmente chegou a vez da visita à  aldeia de Algoso, quando chegamos vimos o pelourinho, depois fomos visitar o castelo, mas só por fora e mal, para subir era difícil, porque estava um vento forte e frio. Situado num rochedo com vistas espetaculares,  lá de cima do castelo seria um prazer apreciar outras paisagens fantásticas.

Pelourinho de Vimioso

Vila de Vimioso, pequena em tamanho e grande no que oferece, é um lugar onde encontramos paz e tranquilidade. É um espaço privilegiado para recuperar o fôlego, para voltar ao que nos liga à terra, dar importância às coisas essenciais na vida e à beleza das coisas simples.

Nestes lugares, o tempo tem outro valor. Podemos desfrutar do ar puro, fazer caminhadas, dar um mergulho ou apreciar o que o rodeia: o céu, a paisagem, as pessoas, os sabores. É tão bom deixar os sons da cidade durante uns dias e voltar ao silêncio da natureza! E só ouvir os passarinhos ao nascer do sol, as cigarras que acompanham os dias quentes, os grilos no fresco da noite, as folhas das árvores ao sabor da brisa que corre.

Os Famosos Pasteis de Amêndoas de Vimioso 

Ficar em Vimioso ou numa das 22  aldeias é aproveitar dar atenção à sua voz interior e reencontrar o que de facto o faz feliz. Parecem lugares perdidos no tempo, que sempre estiveram à espera de alguém que os descobrisse. Mas quem lá vive mantem as tradições, partilha o que sabe, dá vida aos lugares e recebe de braços abertos quem chegue por bem. Esse lado humano, feito de gente simples e com a alma grande, é na verdade uma das maiores riquezas das aldeias do Concelho de Vimioso. Uma das melhores maravilhas da visita ao Concelho de Vimioso, foi voltar a encontrar os sabores tradicionais, feitos com os produtos da terra, autênticos e genuínos. adaptado a gostos mais refinados.

Ponte dos Mineiros Argoselo

Para além destas aldeias que visitei, era indispensável uma visita a todas as outras, para ficar a conhecer a fundo a cultural local. Foi uma boa experiência! Visite porque vale a pena. É uma região muito interessante e que merece ser visitada. Fiquei com mais conhecimento sobre a região.

Feira da Rosquislha Vila de Argoselo

Contagie-se pela genuinidade e espírito afável das gentes desta região que lhe apresentarão o que de melhor oferece o Concelho. Delicie-se com a gastronomia típica que herda receitas repletas de sabor e de histórias de gerações. Aprecie a diversidade e a beleza das paisagens únicas com planaltos verdejantes e campos de cultivo. Explore os encantos do Pinta ― Parque Ibérico Natureza e Aventura e aventure-se pelas suas formações geológicas únicas.

Se tem interesse em gastronomia transmontana e Natureza, o Concelho de Vimioso vai surpreender!

Ilídio Bartolomeu 


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terça-feira, 7 de março de 2023

HISTÓRIAS QUE CONTAM EXPERIÊNCIAS VIVIDAS

 

Sim, é verdade! Nasci em Argoselo, sou filho do “Tio Chastre e da Maria Tiró.” Se é da terra, se calhar a alcunha é-lhe familiar, aceito o seu reparo. Tenho muito orgulho em ter nascido nesta aldeia. E se digo que sou do Estoril é só porque tenho mais anos aqui, casei aqui, tenho os meus amigos aqui... mas nunca, em circunstância alguma, tive vergonha das minhas origens humildes, nem nunca me esqueço da linda aldeia onde a minha mãe quis que eu nascesse.

Argoselo, foi o meu berço até aos meus 16 anos. Por mais longe que eu vá, a memória da igreja, o som inconfundível dos sinos, o amarelo das flores das giestas, e dos tojeiros, o sabor das castanhas, assadas ou cozidas, o cheiro das febras de porco assadas nas brasas nos dias gelados da desmancha, o sabor férria da água e do anho assado, estão-me colados aos sentidos.

E quem não se lembra das mulheres com xaile pela cabeça para resguardo da chuva-molha-tolos, mas tão fria que diziam trazer neve à mistura. Arrebanhava-se um molho de nabos, um balde do rebusco das azeitonas e um punhado de couves mais amareladas do frio para os animais. e que iriam a cozer no lato de zinco ou cobre. Chamavam-lhe a vianda dos porcos. As outras para cozinhar e irem à mesa, estavam amaciadas pelo gelo, quase prontas para a sopa.

Na adega, dentro do lagar com uma camada de palha no fumo, repousavam e largavam aquele odor único e gulosos, as maças apanhadas no fim da vindima.

O toque com o nó dos dedos nas pipas diziam que estas estavam cheias e o vinho novo seguro. A salgadeira estava limpa e arranjada, esperando a desmancha do porco para receber presuntos e pás, barriga, pés e cabeça que o sal grosso conservaria o ano inteiro.

E enquanto à fogueira, ouvindo o assobiar do vento de cima, aquele que vem dos lados de Espanha , se aqueciam as mãos e esquentavam os pés já com as peúgas calçados, se lançava o desafio da gente da nossa terra. Cá te esperamos Inverno!

Mais do que uma festa… a matança do porco realizava-se sobretudo nos meses de dezembro e Janeiro quando o frio cria condições propícias para tal. Uma matança do porco, pretendia ser um momento de convívio entre a família, amigos e convidados. Durava o dia inteiro, agora a matança é um ato que dura apenas umas horas. São poucas as famílias que ainda cumprem esta tradição.

Depois do almoço os homens, cortavam o porco em pedaços; costeletas, presuntos, espaduas, barriga e o toucinho, as mulheres lavam as tripas, no meu tempo iam à ribeira dos inverniços. Também elas cortavam a carne em pequenos pedaços para fazer as chouriças, salpicões e butelos. Também tinham a missão de cortar o pão para fazer as alheiras, chavianos e os azedos.

E no tempo da castanha! Mal o sol enviava os primeiros raios, ainda com a estrela da manhã acesa, vinha meu tio Porfírio: Então não queres vir rapaz? Pois quero sim, meu tio. É só vestir as calças e lavar a cara. Então vá, avia-te num instante senão os picos espetam-se nos dedos. Já tenho as cestas e a saca. Ai rapaz! Nem as remelas tiraste. Deixa, logo lavas-te melhor.

Lá íamos então, num passo acelerado e certinho. Eu, ora às carreirinhas para o apanhar ora aos pulinhos para o poder acompanhar. Quando o relógio na torre da igreja dava as sete badaladas era certo que já tínhamos a cesta com um bom quarteirão de castanhas. Eu adorava «escartchar» com o calcanhar das alpargatas os ouriços que tombavam sem terem soltado «os dentes».

Está atento, rapaz, não te espetes! advertia o meu Tio Porfírio. Ao despique tentava encher a minha pequena cesta mais depressa do que ele. E claro que conseguia porque era bem mais pequenino. Fazia uma festa, como se fosse um grande rapazinho! Era a época das últimas colheitas, antes das geadas, tão temidas pelos retardatários! Os dias encurtavam. Embora nos levantássemos cedo, o dia era já muito pequenino o que me enchia de saudade. Saudade que ainda guardo em mim.

Agora as condições climáticas andam confusas e confundem as gentes, a mínima alteração do tempo serve logo para empolamento noticioso que chega a provocar receios e medos. Mas dantes eram situações encaradas como normais pelas nossas gentes.

A neve, geada, chuva, vento e saraivadas, eram esperadas em Janeiro e Fevereiro, como uma dádiva, tinham de vir no tempo certo para bem das culturas. Assim, estava escrito na "Biblia" do agricultor - sabedoria popular - traduzida em ditos e provérbios que valorizavam a natureza e o seu ciclo como manifestações naturais do tempo e do clima.

"Janeiro geoso e Fevereiro chuvoso, fazem o ano formoso".
"A neve que em Fevereiro cai nas serras, poupa um carro de estrume às terras".

"Em Fevereiro chuva, em Agosto, uva".

A agricultura familiar em Argoselo era marcada pela prática de produção de cereais em pequena  escala, o agricultor tinha como principal objetivo a produção para garantir a sobrevivência da sua família. 

Depois o dinheiro era, sempre escasso, o centeio servia como principal género de troca: Pagar ao barbeiro, pagar a Côngrua ao pároco, pagar rendas de lameiros, ou mesmo uma proporção para pagar as ferragens de animais, pagar a cobrição das vacas, para citar apenas as mais usuais. E tinha ainda de garantir que ficava com a quantidade de semente necessária para a sementeira seguinte. Por isso, a arca tinha de ficar bem cheia para durar até à próxima colheita. E os anos, por vezes, eram ingratos maio e junho, eram meses complicados numa altura em que os dias são grandes e o trabalho era árduo. Hoje, Argoselo produz cada vez menos cereais.

As festas de verão, em honra do Senhor do Bonfim, São Roque, São Bartolomeu e de  Nossa Senhora das Dores, temperadas pela ancestralidade cultural, as festas e as romarias são uma forma das pessoas expressarem aos santos a sua profunda devoção, num apelo de bênção e graças para momentos difíceis, que, os afagam de paz,  alegria e profunda inquietação, angústia e dor.

Entre o religioso e o profano, nas festas e romarias, há convívio e diversão. Bandas de música animam as ruas, rememoram-se lendas e tradições, esplendoroso fogo de (artifício nos arrais), Nos dias de Festas, saem da Igreja Matriz majestosas procissões em volta da população. As pessoas exprimem aos santos toda a sua devoção e pedem um futuro melhor e cumpre-se a tradição de ver e rever a família, amigos e conhecidos.

Recordo com saudade as vindimas da minha infância e da adolescência, a atividade intensa salpicada de alegria e de constante boa disposição.   Era um trabalho em que toda a família se envolvia, era um ato de amor e de união, o reencontro de amigos, um trabalho partilhado em sintonia e harmonia.

Fizesse sol ou chuva, a apanha das uvas começava bem cedo para aproveitar todas as caraterísticas de cada cepa. As pessoas distribuíam-se pelos valados e  apanhavam os cachos de uvas à mão ou cortavam-nos com ajuda de um canivete ou de uma tesoura, processo, ainda, utilizado nas vindimas.

Depois de uma manhã inteira a vindimar, chegava o descanso merecido com um almoço nutritivo, sempre em ambiente de festa. Desses almoços tenho saudades do sabor da espanholada e aromas inconfundíveis das sardinhas assadas na fogueira feita com vides. Sabores e cheiros que nunca mais os vivenciei!

Este espelho fotográfico da terra onde me fiz adulto, surge com a vontade de mostrar que, no meio de um imenso pessimismo e desvanecimento destas vidas, existe algo que deve ser apreciado e enaltecido: uma transparência rara extremamente inocente, mas também sábia. Estas pessoas são as que mais me pertencem nesta terra, são pessoas que sempre recordo ao lembrar-me deste sítio, são pessoas que me viram crescer e que eu vi envelhecer; são reflexos precisos desta aldeia.

Escrever sobre Argoselo, coisas que aprecio: memórias e histórias do mundo rural e de tudo o que tenho saudades no (Blog. Freixagosa), é de, um dia, juntar num livro os textos que foram germinando ao longo dos anos, sem que seja muito clara a forma que irá tomar. O resultado final acaba por ser uma surpreendente combinação de histórias, que vão desfilando ao sabor da evocação do trabalho árduo, consistente e determinado, realizado ao longo dos últimos 20 anos. A estas histórias, junta-se um outro conjunto, extremamente marcante, de que alguns argoseleiros tiveram a coragem e a generosidade de partilhar. São as suas histórias pessoais, vividas na primeira pessoa em tempos árduos  de guerra e de luta pela sobrevivência. Nelas bate o verdadeiro coração desta publicação.

Agradeço a presença de quem diariamente participa, via comentários. Entendo que são quem reconhece o meu esforço, para que a cada dia a cultura Argoselense, seja mais conhecida e valorizada. O meu bem-haja.

É um prazer registar, no presente, as vivências do passado.

Ilídio Bartolomeu


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quinta-feira, 2 de março de 2023

DIÁLISE NA CLINICA DIAVERUM DO ESTORIL!


 

Sou um homem já com 75 anos, com objetivos e ideais como qualquer outra pessoa da minha geração. Mas a minha vida é diferente das vidas das outras pessoas de uma forma muito significativa: faço hemodiálise três vezes por semana na Clinica Diaverum do Estoril.

Com esta doença renal crónica e diabetes, estou sujeito a stresse, ansiedade e depressão. Stress e a depressão ao longo destes cinco anos de diálise, apresentam-se como sintomas de sensação de tristeza, incapacidade, cansaço excessivo, falta de concentração, insônia, falta ou aumento anormal de apetite e desgastado pelas limitações impostas pelo tratamento.

A rotina da doença renal, fora da hemodiálise, elimina hábitos, que antigamente eram fonte de socialização e alegria. É penoso sair com amigos e ir a festas sem me poder alimentar e beber como no passado, antes da doença. O tratamento promove uma limitação social.

Sabendo destas frustrações e deste esgotamento em diálise, continua  a vida a fazer sentido. A depressão  o medo podem ser ultrapassados; quanto mais se aprender sobre a doença, mais consciente e confiante fico.  A confiança traz-me calma e segurança para tomar decisões importantes nesta fase.

Sempre que há uma alteração nas nossas vidas, o stress aumenta: quando estamos pressionados por problemas graves irritamo-nos mais facilmente, mesmo diante de situações que habitualmente não nos irritariam. O stress, pode fazer-nos sentir tristes e cansados, valorizando mais as queixas do que antes. Iniciar uma nova dieta, a diálise, novos tratamentos, muitos exames e procedimentos podem aumentar o stress. Mas tudo isto tem a função de nos ajudar a sentir-nos melhor e a encontrar um novo equilíbrio na vida.

Focada em assegurar o maior conforto e qualidade dos seus utentes e oferecendo o melhor atendimento, a Clinica de Hemodiálise Diaverum do Estoril, equipada com a mais recente tecnologia, é uma unidade de diálise privada, que presta tratamentos de diálise, com foco no conhecimento técnico e científico dos seus profissionais, médicos, enfermeiros e auxiliares de saúde, estão sempre presentes, demonstrando como são essenciais nas nossas vidas, distribuindo palavras de confiança, conforto, carinho, dedicação, amor, fé e esperança! No principio  passei por fases muito difíceis.

Com a chegada do Verão, chega também a vontade de fazer uma pausa na rotina diária e recarregar energias. As férias são uma necessidade, com benefícios para a saúde física, e emocional, contribuindo assim para o bem-estar geral de cada um de nós, escolher um local de férias que tenha uma clínica de hemodiálise na proximidade. Contactar a clínica, com a maior antecedência possível, solicitando vaga para o período pretendido.

Qualquer viagem de férias exigirá um planeamento, especialmente se envolver viagens de longa distância. Normalmente, as minhas férias são em Bragança, pois é lá  que que eu tenho casa. No Hospital Distrital, “ser atendido para fazer hemodiálise dois ou três meses, dizem-me que é impossível. O insuficiente número de maquinas, (12) é a causa para responder à quantidade de doentes do concelho, ou então só mesmo se mudar o domicilio para lá. Fazer dialise em Mirandela ou Mogadouro, está fora de questão, são muitos quilómetros para andar de carro, é muito cansativo. Enquanto não  resolver ir de vez para Bragança, não há férias.

Como deficiente e portador de uma doença crónica, procuro constantemente coisas que me deem prazer. A vida como pude aprender é preciosa, e valorizo verdadeiramente todos os momentos felizes. Mas, acima de tudo, sou uma pessoa muito determinada e que se esforça para alcançar os seus objetivos, independentemente o caminho poder ser difícil. Hoje em dia está na moda falar sobre objetivos. Como defini-los e o que fazer para os concretizar.

Algumas pessoas até participam em aulas de formação sobre desenvolvimento pessoal, leem e escrevem de forma intensa sobre o assunto ou solicitam aconselhamento especializado. Todas as jornadas de diálise são únicas, determinantes e irão transformar a vida diária. Isto não acontece apenas a quem vive com a doença, mas também afeta quem presta cuidados e dá apoio durante o percurso.

A minha companheira de luta, no que diz respeito a transformar em realidade os momentos bons pelos ruins, é muito motivadora. Nos momentos mais difíceis, é custoso encontrar conforto nas palavras. Por mais do que ela me diga, não será capaz de fazer voltar o tempo para trás. A vida segue inabalável e cabe a mim juntar os caquinhos. Pode parecer mentira dizer isto, mas é a verdade: os dias ruins parecem ser mais longos, mas os momentos bons são a maior parte de minha vida. Na realidade os bons superam os ruins.

A minha companheira está sempre pronta para me ajudar a enfrentar este período de turbulência. Este apoio é de quem me quer ver bem! Ela não gosta de me ver triste! Sabes que podes contar sempre comigo a teu lado. Eu sempre serei a tua melhor amiga e estarei aqui para te ouvir, ajudar e apoiar. Tem fé.

Cuidar de alguém com doença renal crónica (DRC) pode ser uma experiência desafiante e recompensadora. Pode sentir ansiedade pelo facto de o seu companheiro estar doente ou por não conseguir dar-lhe a ajuda e apoio de que necessita. Compreender o impacto deste percurso, os diferentes requisitos do tratamento e as novas rotinas, prepara-nos para lidar com os desafios e permitir que ambos vivamos a vida ao máximo.

Lidar com estes sentimentos não é fácil, mas partilhar e reconhecê-los é essencial para manter a saúde física e mental ao longo do período em que me encontro a fazer diálise.

Desde que ando a fazer hemodiálise, “a diálise mudou a minha vida”, mas não mudou a minha visão sobre a vida. Se não fosse a minha incapacidade de imobilidade, nem me lembrava que  fazia diálise tês vezes por semana.

É esta a mensagem de otimismo e de força que quero passar para alentar e motivar outros doentes em dialise  a procurar informação sobre qual a melhor opção de tratamento, para que possam permanecer o mais independente e ativos possível. “Algumas pessoas sentem que as suas vidas acabam quando começam a fazer diálise, mas eu não!”. “Descobri que na verdade é apenas uma questão de fazer um ajuste mental para poder continuar a viver e  permanecer ativo. O que é uma bênção.”

Neste contesto, quero especificar os meus agradecimentos a toda uma vasta equipa de técnicos da Clinica Diaverum e à cuidadora minha esposa, que tanto me têm ajudado a ultrapassar as dificuldades, tornando a diminuir os impactos negativos no corpo na mente e  retomar a alegria de viver!

Vivo a vida e sinto muita gratidão!

Ilídio Bartolomeu


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