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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

N-25 PORQUÊ TEM DE SER ASSIM?



Sempre que há alguém que me diz que não gosta de Argoselo fico com uma espécie de tremelique nervoso na vista. Há quem goste mais da praia, protetor solar e tudo o que esteja remotamente ligado ao verão; estas pessoas existem. Dei por mim a pensar nisto hoje, porque as minhas férias prolongadas em Argoselo de três meses, chegaram ao fim. Agora o que me deixou triste é do que vi, e não gostei: Argoselo com este andar se não mudarmos de mentalidades, torna-se numa Vila- Fantasma, desertificado…Porque só uns se dedicam inteiramente, para ajudar, ou até incentivarem para que outras pessoas façam um esforço para contribuírem um pouco que seja, e que demonstrem esse mesmo sentimento pela sua TERRA, enquanto outros não fazem mais que serem uns perfeitos atores, pois conseguem enganar perfeitamente, fazendo acreditar que são grandes amigos da sua TERRA. Porque quando mais se precisa daqueles que fingem apenas por caprichos ou egoísmos, eles viram a cara, pois não é nada com eles.

Já algum tempo publiquei neste Blogue um artigo, para horror de quantos têm um mínimo de discernimento e conhecimento de tudo que se passa em Argoselo, e pergunto: porquê tem que ser assim? Porque como cidadãos, não podemos ser mais solidários com a Nossa Terra como Vila, dar-lhe a dignidade, competência e seriedade; tratando dos assuntos a que ela diz respeito, mesmo que se tenha que bater com a porta, já basta tanta subordinação dada a Vimioso. O que será que nos está faltando? É como se estivéssemos num estado de demência coletiva, que não sabemos como resolver os mais elementares problemas a que todos nos diz respeito do dia-a-dia da Nossa Terra para o seu progresso. Ou então o mesmo é dizer que o incompetente e inconsequente é quem nos representa a nós população, ou somos todos nós, e que fazer de Argoselo então?

É claro que eu também sei que este “vírus” se tem vindo espalhado endemicamente ao longo de todos estes anos, e não são poucos desde que há democracia, com a demência por quem nos têm representado. Mas, caramba, o que será que se passa na cabeça destas pessoas?
Quanto à pergunta-titulo, será que aquilo que se costuma dizer, brincando que tínhamos uma Boa Freguesia e passamos a ter uma má Vila, é um facto? Estou cada vez mais certo disso se não discutirmos de maneira diferente os problemas de Argoselo, para que não sejamos sempre acabrunhados alguns de nós próprios coadjuvantes, com os de lá do Rio Maças. Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas podemos recomeçar e fazer um novo fim.
Existem coisas na vida pelas quais vale a pena lutar até ao fim…

Por isso digo: Porquê que tem de ser assim em Argoselo?

Ilídio Bartolomeu

terça-feira, 6 de outubro de 2015

N-24 CLUB DE FUTEBOL ARGOSELO



EQUIPA DE FUTEBOL DE ARGOSELO

O Centro Cultural Desportivo de Argoselo, é um habitual do campeonato Distrital de Futebol de Bragança, pois compete há 39 anos e tem um palmarés de invejar qualquer clube dos Distritais a nível Nacional: duas subidas à Terceira Divisão Nacional, mas sem possibilidades financeiras para os disputar, e uma Taça da Associação Distrital de Bragança.
O clube foi fundado em 1975 e, a partir daí, aos domingos em Argoselo o futebol tornou-se para as pessoas uma maneira de passar o tempo.
No seu percurso desportivo, a coletividade teve sempre jogadores e dirigentes à altura para discutir os lugares cimeiros do campeonato distrital, e por isso merecem todos, os nossos aplausos por terem dignificado o bom nome do Clube e da Vila de Argoselo.
Também quero salientar pelo que se sabe, o orçamento do Clube advém quase por inteiro da Camara de Vimioso e da Junta de freguesia de Argoselo, contando também com as cotas dos poucos mais de 300 sócios no qual todos contribuem decisivamente para a segurança financeira.
A maioria da equipa do CCDMA é formada com jogadores da Terra. Uma das políticas do Clube é dar oportunidades aos jovens da terra, diverti-los e criar responsabilidade no emblema que defendem.

O futebol é o anseio de toda uma comunidade profundamente ligada ao mundo da bola. “Sem o futebol, a vila de Argoselo quase morre” o futebol é um pulmão da terra, que respira alegria pelos domingos para todos aqueles que gostam de passar o tempo em diversão.A Direção do Clube de Argoselo redefiniu objetivos para a temporada 2013-2014. Em declarações a toda a massa associativa, o Presidente Forneiro revelou que queria entrar na discussão novamente pela subida à 3ª Divisão na temporada 2014-2015. A mensagem foi transmitida também aos jogadores e equipa técnica, que estiveram em comunhão com a meta traçada pelo Presidente Forneiro. A subida foi uma realidade, e desta foi de vez; o Argoselo está a competir o Campeonato Nacional da 3ª Divisão 2015-2016. E assim temos pela primeira vez no Concelho de Vimioso uma equipa na 3ª Divisão Nacional de Futebol que todos os Argoselenses tanto se orgulham.

A médio prazo, o CCDMA pretende criar melhores infraestruturas desportivas e financeiras, só assim será possível concretizar e solidificar a permanência na terceira divisão Nacional para competir, ou então o clube tem de se confinar a continuar a lutar no campeonato Distrital e tentar ficar sempre bem classificado para elevar o bom nome da Nossa Vila no reino do Futebol.
Bem sabemos que os recursos financeiros são muito poucos, e tudo isto não passará de uma experiência que ficará para a História de Argoselo.


Ilídio Bartolomeu

N-23 O QUE NOS MOVE É ARGOSELO!...


Nos tempos atuais, saber viver com todos e para todos é uma tarefa que muitas vezes se afigura difícil; e desempenhá-la contornando obstáculos exige uma atenção redobrada. Selecionar critérios para essa vivência é sempre um bom ponto de partida. Muitas vezes vivemos arredados daqueles a que chamamos família e amigos, apenas giramos à sua volta, sem entrar dentro do círculo que nos envolve. Torna-se cada vez mais importante prestar atenção, estar desperto para compreender e assimilar o que acontece e estar preparado para toda e qualquer emergência. São estas algumas das obrigações, talvez as mais importantes quando queremos ser o apoio mais próximo. Temos de ter força suficiente para congregar forças que criam confiança, que motivadas pelo sonho, pelo esforço e pela tenacidade ajudem todos a viver felizes e de forma condigna. A capacidade de todos nós através do diálogo, e da partilha deste meio de comunicação “Blogue São Bartolomeu Freixagosa” terá como resultado o bem-estar de todos. Promover ainda mais a fase ascendente da qualidade de vida, encontrar soluções e caminhos novos com um foco direcionado para o futuro é um trabalho que cabe a todos nós, pois só assim conseguiremos dar mais um impulso à “NOVA VILA” que está cada vez mais longe de nós. Esta é a vontade de cumprir o que se promete, com responsabilidade desta administração para fortalecer o papel a que se propõe com voluntariedade de contribuir com o nosso trabalho para uma Vila de Excelência, divulgada por todo o Mundo onde aja Argoselenses e amigos com tolerância e moderação. É o que nos move! Partilhar com todos os Argoselenses e amigos da Nossa Terra, é uma boa aposta.


Ilidio Bartolomeu

terça-feira, 22 de setembro de 2015

N-22 COMENTÁRIO QUE DÁ ORIGEM AO 1º CAPITULO DO FILME


CRUZEIRO DE SANTO AMARO
Argoselo é uma das freguesias do concelho de Vimioso com uma população de cerca de 1500 habitantes e 500 fogos. hoje fica a 15 quilómetros de Vimioso e a 30 de Bragança.
A Freguesia divide-se em três bairros: Latedo onde se diz que era habitado pelos agricultores, bairro de baixo e bairro de cima pelos negociantes.

Em tempos remotos sediaram-se em Argoselo mais propriamente no bairro de baixo, inúmeros Judeus que deixaram importante presença económica e cultural.
Segundo a tradição local, o negócio das peles em Argoselo tem raízes judaicas. Assim referem os relatos dos antigos peliqueiros e os vários documentos históricos escritos sobre as origens desta Terra. Por este motivo as fabricas dos curtumes designados como “Plames”, se situavam entre a zona do prado e o bairro de baixo.Mas, para além dos relatos populares, também esses emigrantes Judeus que no século XV vieram para o nordeste de Portugal estabeleceram-se em várias povoações, acrescentando que “nos lugares de Argoselo e Carção exerceram uns a indústria de surradores de peles”. 

PELE DE VACA CURTIDA NOS
ANTIGOS PLAMES
Em Argoselo, é comum dizer-se que foram os Judeus, “finos” para o negócio e com tradições de comerciantes, e os grandes responsáveis por terem deixado a “semente” dos peliqueiros, é por isto mesmo que a compra de peles (bovinas, ovinas e caprinas) está relacionada com Argoselo, daí, que os seus habitantes tenham sido apelidados de peliqueiros.

No plano artes e oficios havia: funileiros, ferreiros, alfaiates, sapateiros, barbeiros,  carpiteiros, electricistas, albardeiros e mais recentemente instalou-se Indústria de serralharias, alumínios, lagar de azeite estâncias de construção civil e industria de transformação de madeiras . 


É uma das mais importantes Freguesias do concelho de Vimioso e não só, também uma das mais importantes do distrito de Bragança pela sua agricultura, comercio e pela excelência das suas terras, ficando situada entre duas bacias hidrográficas, do rio Sabor e rio Maças. Produz cereais, azeitona, castanha, batata, gado ovino, e bovino, e é rica em floresta e o seu solo abundante em água.
FONTE DA ESPADANA

 Neste contexto havia várias fontes na Freguesia: no prado, uma fonte e um tanque, na espadana, duas fontes e um tanque para as lavadeiras, no bairro de baixo, a fonte das nogueiras, nas eiras das éguas, a fonte da aquinhó e o tanque da escola, na praça, uma fonte e um tanque cumprido, na gabilana, uma fonte. Por incrível que pareça atualmente só existe: a fonte na espadana e a fonte da aquinhó, todas as outras foram deitadas a baixo. Lembro que todas elas eram de valor patrimonial para Aldeia.
Também foram importantes para a economia de Argoselo até aos anos 80 as minas de volfrâmio e estanho situadas no sítio da cabreira onde empregava à volta de 250 pessoas.


TANQUE DAS LAVADEIRAS NA
ESPADANA
Enquanto funcionaram tiveram grande influência no desenvolvimento da Aldeia, tanto em movimento de pessoas como de capitais.
Hoje, as minas como a maior parte destes serviços, estão encerrados ou simplesmente já não exixtem.

Argoselo desde que eu me lembro as casas começavam no cruzeiro de Santo Amaro e acabavam no cruzeiro de São Sebastião, a partir dos anos 50, estendeu-se muito para um lado e para o outro, ao ponto de Argoselo ser elevada a Vila em 19-4-2001.

Durante o ano realiza-se no dia, 23 de cada mês uma feira na Vila. Anualmente também se realiza a festa/feira da rosquilha que tem como objetivo criar um certame de promoção e fomento das atividades económicas, valorizando os produtos locais e regionais e a cultura. A rosquilha, nesta época tem a sua importância para a Vila onde ocorre significativamente gente à procura deste produto. A festa/feira da rosquilha já vai na sua nona edição à época, e é organizada pela Junta de Freguesia com a colaboração da Camara de Vimioso.
CRUZEIRO SANTO AMARO
 
Durante o ano realizam-se varias festas em honra dos Santos existentes na Freguesia, mas é durante o mês de agosto que muitos filhos da terra regressam de vários pontos do país e estrangeiro para visitarem a família e assistirem às festas, de Nossa Senhora das Dores,  Santa Barbara e de São Bartolomeu.
Hoje a Vila de Argoselo, confronta-se com um grave problema, a desertificação humana e tudo em geral.


 Ilídio Bartolomeu   



N-21 AS VINDIMAS EM ARGOSELO..

 O fim do Verão e o início do Outono é sinónimo de colheitas, e em Argoselo abre-se a época das vindimas: as uvas estão prontas para serem colhidas das videiras, num trabalho realizado em ambiente de festa e convívio, para depois produzir o vinho do ano. Uma tradição argoseleira que, apesar de modernizada em alguns aspetos, ainda é o que era.
O trabalho da colheita das uvas é visto, sobretudo, como uma autêntica festa. Familiares e amigos juntam-se para as vindimas. O trabalho começa bem cedo, homens e mulheres a cortar os cachos das videiras para os cestos de vime e baldes.
 A meio da manhã para-se para petiscar qualquer coisa e ganhar força para continuar, sendo os homens a carregar os cestos de vime já repletos de uvas até aos carros de bois, enquanto as mulheres não deixam escapar nem um cacho das videiras.
O descanso merecido depois de uma manhã inteira a vindimar acontece durante o almoço prolongado, sempre em ambiente de festa. Ao anoitecer, a festa contínua no lagar onde os homens, de calções ou calças arregaçadas, formam uma roda, a pisar as uvas.

Embora sem os contornos de festa de tempos passados, as vindimas de hoje continuam a aliar uma forte componente de convívio ao seu trabalho incontornável. Continua-se a reunir família e amigos em torno deste ritual anual onde, de tesouras e facas na mão e cestos aos pés, se cortam cuidadosamente os cachos de uvas. A pausa a meio da manhã para petiscar mantém-se, e depois concluído o trabalho, vem o almoço tradicional, uma boa espanholada de bacalhau.
Os carros de bois deram lugar aos tratores, e depois de colhidas as uvas, são levadas para os lagares com o primeiro recurso a um equipamento mecânico para serem esmagadas e finalmente pisadas por homens para se transformar em vinho.

Atualmente procura-se manter esta tradição, acima de tudo é um dia bem passado a colher os frutos da Mãe Natureza, e aguardar ansiosamente que o ano seguinte seja sempre melhor.


Ilídio Bartolomeu

N-20 QUEM NÃO GOSTA DE FÉRIAS…


Eu nunca viajei de verdade, nunca tirei férias. As melhores férias para mim foram sempre na minha terra Natal, quando quase toda a gente procura outros sítios possíveis, fora do país as suas férias.
Em pleno verão, os emigrantes e toda a gente que trabalha pensa ansiosamente nas férias… quem não gosta de ter as suas férias? Para descansar, mudar de ares, passear, acampar, refrescar nas lindas praias fluviais e à beira mar, e visitar tudo do que há mais belo no nosso País depois de ano cheio de trabalho. As férias dá para fazer tudo.
Convívios, festas, amigos, diversão palavras, mudar de ares, rever e visitar amigos; enfim o tempo convida a fazer tudo o que me vai na alma, assim me lembram apenas as minhas férias, sejam de inverno ou de verão.
Após longos dias sem actividades três meses bem passados entre Bragança e Argoselo, eis que se aproxima o regresso à rotina diária no Estoril, uma situação enfadonha que posso dizer deprimente para mim, pelo facto de estar condicionado de imobilidade, e a saúde também não é muita, para outros o regresso ao trabalho pode significar uma maior dedicação, já com as “baterias carregadas”.
 É claro que as férias deixam sempre saudades e uma enorme vontade de ter mais alguns dias de férias. Mas, o regresso ao trabalho é inevitável, por isso, o melhor que há a fazer é consciencializar-se que após umas férias, chega sempre a realidade do trabalho e da vida quotidiana que nem sempre é fácil.
Férias, não importa o tempo ou a data, o importante é que elas existem…


Ilídio Bartolomeu  

terça-feira, 21 de julho de 2015

N-19 IMAGEM PEREGRINA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA VISITA A VILA DE ARGOSELO




A Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima esteve de visita ao concelho de Vimioso. A visita á paróquia de Argoselo decorreu no dia, 19-7-2015.
A peregrinação à Vila de Argoselo iniciou-se no largo da praça às 14 horas, com a receção das autoridades civis e eclesiásticas, seguida de Procissão, até à Igreja Matriz onde decorreu a Eucaristia celebrada pelo Bispo D. José Manuel Garcia Cordeiro.



Este reencontro à “Jovem Vila de Argoselo” com a Imagem Peregrina, depois da primeira e única visita, ocorrida há 66 anos, vai ficar como “o dia mais cheio da sua história”.




Esta visita da Imagem peregrina enquadra-se na peregrinação a todas as Dioceses do País, terminando no dia 13 de maio de 2017, no Centenário das Aparições de Fátima, com a provável presença do Papa Francisco.





Ilídio Bartolomeu






segunda-feira, 27 de abril de 2015

NÃO VISTE AINDA ESTE VIDEO?

                 
VIDEO DE MÚSICA E PUBLICIDADE DE I984

Quem não se lembra disto?... Com certeza os mais novos não...



                    

sábado, 11 de abril de 2015

N-30 MUSEU DAS MINAS DE ARGOSELO


Quando um tempo acaba, outro começa…

Nesse começo cheio de nostalgia, restam as memórias, todas elas expostas com a dignidade merecida no Museu dedicado às Minas e Gentes de Argoselo.
Esperamos que a partir de agora não vivamos só de memórias, e que cada Argoselense possa contribuir dentro das suas possibilidades para um futuro melhor a favor da nossa tão querida Vila de Argoselo.

Uma comunidade vale sempre mais pelo que consegue…

Ilídio Bartolomeu 

 
           

sexta-feira, 10 de abril de 2015

N-18 CENTRO INTERPRETATIVO DAS MINAS DE ARGOSELO



Partindo da cidade de Bragança deve seguir na direção de Argoselo, ao lá chegar, passar pelas bombas de gasolina, a cerca de 600 metros existe uma tabuleta com a indicação de Minas de Argoselo. Á sua direita há uma estrada e segue por essa encosta. Vai encontrar um primeiro aglomerado de casas, antigas instalações mineiras, uma escombreira toda arrasada, e mais ao lado o sítio onde se encontravam as antigas lavarias onde era tratado o minério e todas as instalações que faziam parte da exploração mineira.
Hoje é uma mistura de paisagem natural, com os restos de algumas partes significativas de peças que sobressaem nesse sítio e estimulam a curiosidade dos visitantes, que certamente vão querer parar e tirar fotografias à paisagem e maquinas que nos revelam um pouco da história destas Minas.
Este local, que complementa o Centro Interpretativo das Minas de Argoselo, situado junto à Rotunda do Calvário à saída da Vila, pretende-se que brevemente estejam ligados através de uma nova estrada o que irá facilitar esta visita à história das Minas de Argoselo.
A história da mina de Argoselo remonta aos princípios do século XX.
A partir de 1913, estas Minas foram exploradas por uma empresa Estrangeira. Esta exploração durou até 1986. Pode-se considerar que o apogeu das minas foi durante a segunda guerra mundial, em que a procura do Volfrâmio era grande devido à sua utilidade como endurecedor de ligas metálicas para a construção de armas. Dai para cá a sua importância veio a diminuir, porém, mais recentemente com a crise do volfrâmio, as minas ganharam novo alento com o aparecimento do Estanho.
Mas a utilidade do volfrâmio não se resumia só à indústria de armamento. Uma das suas utilizações mais nobres é na indústria elétrica. Os filamentos das lâmpadas que nos iluminam são de Volfrâmio. A extração do Estanho com maior relevância, vem mais tarde ao ponto da empresa construir fornos elétricos para a sua fundição.
As Minas de Argoselo a par de Neves-Corvo e Panasqueira, estas últimas ainda em laboração eram as três principais produtoras de concentrados de Cassiterite em Portugal.
Desde o seculo passado as Minas de Argoselo eram exploradas, no entanto só a partir dos anos 50 é que adquiriam aspetos industriais modernos. 250 Trabalhadores eram responsáveis pela exploração de 200 toneladas de Volfrâmio e Estanho. Todo o processo de exploração começava a cerca de 180 metros de profundidade, de seguida na lavaria dava-se à separação dos minérios dos esteres. Terminado todo o trabalho realizado na lavaria com a separação do Volfrâmio e Cassiterite, eram transportados para a fundição, onde dois fornos elétricos com temperaturas médias de 600 graus centigrados, a Cassiterite era transformada em lingotes de estanho. Ficava assim concluído um processo iniciado a 180 metros de profundidade envolvendo a extração anual de 550 toneladas de tornam, que no final rendiam 200 toneladas de Volfrâmio e Estanho.
O Estanho era consumido no mercado interno, o País tinha ainda de importar cerca de 300 toneladas anualmente. Até aos anos 70 as Minas tinham viabilidade, no entanto no início da década de 80 iniciou-se a sua decadência com o despedimento progressivo dos trabalhadores e atraso de ordenados.
 Neste período não foram tomadas as medidas de apoio reclamadas pelos patrões e trabalhadores, o que levou ao encerramento das Minas. O que também levou muita gente de Argoselo a virar-se para a emigração dando-se a desertificação da Aldeia o que se tem vindo a agravar até aos dias de hoje. Isto levou ao fecho faseado de alguns serviços socias e empresas de alumínios, construção civil entre outras.
A exploração das minas teve uma grande importância social e económica para Argoselo, fazendo movimentar a economia da Aldeia que nessa altura tinha grande movimento e progresso.
Torna-se assim evidente que a história das Minas está intimamente ligada à história da Vila. Tem assim todo o fundamento a abertura de um museu dedicado a esse tempo para memória futura.


Ilídio Bartolomeu

domingo, 15 de fevereiro de 2015

N-17 O CARNAVAL EM ARGOSELO

Carnaval 2005
 O Carnaval, é uma festa celebrada de forma diferente em vários locais. O Carnaval ao contrário do que possamos pensar, é mais do que uma altura do ano em que reinam as palhaçadas e brincadeiras.
Existem duas teorias fundamentais quanto à origem e significado da palavra Carnaval. A primeira atribui à palavra Carnaval uma origem profundamente religiosa, com um significado quase oposto ao da diversão, brincadeiras e malícia a que a associamos hoje em dia. "Carnaval" ou "Terça-Feira Gorda" é último dia do calendário cristão em que é permitido comer carne, uma vez que, no dia seguinte, inicia-se a Quaresma.
Muitas das celebrações carnavalescas são bastante mais antigas do que a própria religião cristã, tendo sido alvo de diferentes manifestações ao longo da história. No fundo, todos os carnavais são memórias das festas dionisíacas da Grécia Antiga, dos bacanais de Roma e dos bailes de máscaras do renascimento.
Carnaval 2005
As tradições carnavalescas específicas no nosso país são um misto de paganismo e de religiosidade; assim, a par da preparação para a Quaresma, o carnaval em Portugal tem muitos rituais pagãos ligados a celebrações da natureza, sobretudo de recomeço da vida purificada na primavera, com a morte das culturas antigas e o germinar das novas. Por isso, enraizado em vários locais de se faz  o (Enterro  da Velha), para depois se celebrar a vida, com danças, palhaçadas, cortejos e música. Em muito locais, associado ao Enterro da Velha, surge um julgamento, que funciona como sátira à imposição eclesiástica de abstinência e jejum durante a Quaresma. A origem destas celebrações vão perdendo-se no tempo.


Ilídio Bartolomeu




                                                             

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

N-16 A MATANÇA DO PORCO EM ARGOSELO 1986

No meu tempo por tradição as Matanças do porco eram uma festa na minha Terra – Argoselo ! o poder económico e outros fatores tem determinado com que estes hábitos populares tenham reduzido a sua expressividade, oxalá pudessem como outrora, realizar-se e animar estes dias na nossa vila.
A matança do porco realiza-se sobretudo nos meses de Dezembro e Janeiro quando o frio cria condições propícias para tal.
Uma matança do porco, pretende ser um momento de convívio entre a família, amigos e convidados.
De manhã cedo, ainda com os dedos entorpecidos da geada, não fora um suculento mata-bicho com aguardente, começa-se por preparar um banco cumprido para colocar o porco, onde se irá matar, quando tudo estiver preparado o matador e mais quatro ou cinco homens agarram o porco e deitam-no em cima do banco, e com uma corda prendem o pescoço em volta do banco, depois sim, o matador com a faca bem afiada espeta-a no porco direitinha ao coração e o porco começa a chorrar sangue para um alguidar onde uma mulher está constantemente a mexe-lo. Finalmente, o porco está morto, desata-se a corda que o prende e muda-se para o chão, começa-se então a chamuscá-lo com pequenas manadas de palha. Enquanto a pele está quente, raspa-se com uma faca, sachola, caco, ou um outro objeto cortante, até esta sair.
Quando a pele exterior estiver toda raspada, lava-se o porco com escova, pedra pomos e sabão, para retirar as cinzas, o carvão, ou qualquer outro tipo de substâncias improprias.

Ao fim de estar lavado, vai-se proceder à sua abertura para retirar o baço, o coração, o fígado, os pulmões, os intestinos e outros órgãos que também estão contidos no seu interior
 Chega a hora do almoço da matança, todos se sentam em volta da mesa, e de acordo com a tradição, este é composto á base de pratos típicos, como sangue cozido, os fígados, os rins, uns bons nacos de barbada (marrã) assados, rojões e outras carnes,
 Como sobremesa, havia nozes, figos, amêndoas e outros doces caseiros.

Depois do almoço os homens amanham a carne, ou seja, cortam o porco em costeletas, presuntos, espadas e barriga, as mulheres, lavam as tripas, agora não, mas no meu tempo iam à ribeira dos inverníços, e cortavam a carne em pequenos pedaços para as chouriças e os salpicões.
 A matança do porco, embora sem a importância que teve outrora, continua a realizar-se em Argoselo, a qual obedece a um certo ritual.
O porco é uma das refeições mais frequentes das pessoas de  Argoselo. Todos os lavradores matam um ou dois porcos.
É um episódio que, a história, regista a ligação e apego da comunidade às mais antigas tradições de Argoselo.

Do porco faziam-se (e ainda se faz) alheiras, chabianos, chouriços, salpicões, butelos, toucinho e os saborosos presuntos.
Mais do que uma festa que durava o dia inteiro, agora, a matança é um ato que dura apenas umas horas. São poucas as famílias que ainda cumprem a tradição. Não fora o hábito das pessoas não passarem sem as chouricitas e os presuntos, a matança do porco já tinha acabado em Argoselo
Esta tradição era verdadeiramente comunitária.



Ilídio Bartolomeu